Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Incertezas políticas e tensão no exterior levam analistas a revisarem PIB de 2018

Expectativa de crescimento de 3% neste ano começa a ficar para trás com risco eleitoral, guerra comercial entre China e EUA, e indicadores econômicos mais modestos em janeiro e fevereiro; governo, por enquanto, não vai mudar projeção

O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 04h10

Com as incertezas políticas no Brasil e a guerra comercial iniciada por Donald Trump, analistas começam a mudar suas projeções para a economia brasileira, prevendo um crescimento menor do que se esperava. A expectativa de uma alta de 3% no PIB deste ano, aos poucos, tem ficado para trás, especialmente após a divulgação dos indicadores econômicos de janeiro e fevereiro, que sinalizaram uma recuperação mais modesta do que a prevista pelos economistas no fim de 2017. 

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A MB Associados, por exemplo, que chegou a estimar alta do PIB de 3,5% este ano, admite que o crescimento pode ficar mais próximo de 3%. O economista-chefe da consultoria, Sergio Vale, observa que o cenário eleitoral é um risco para essa expansão. “Há uma plêiade de candidatos com ideias esdrúxulas sobre economia e com pouca força política para manter as reformas. Isso afetará as expectativas de 2019 e pode afetar as do fim deste ano a depender do resultado da eleição.”

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O economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências, também acredita que a perspectiva de não continuidade das reformas amplia as incertezas. “A Bolsa e o câmbio já refletem o risco que se ampliou em 2018. Três meses atrás, o cenário era mais confortável”, diz ele, que projeta um crescimento de 2,8% para o PIB. Em 2017, a economia avançou 1%, depois de duas quedas consecutivas de 3,5% em 2015 e 2016, que levaram o País à recessão.

No fim do ano passado, o cenário que se desenhava – com os mercados internacionais em alta e indicadores econômicos acima das expectativas – favoreceu as projeções mais otimistas para este ano. Mas nos últimos meses, esse cenário começou a se enfraquecer. O mercado externo ficou mais volátil e a possível guerra comercial entre Donald Trump e a China azedou o bom humor internacional. Ao mesmo tempo, os indicadores internos de atividade vieram mais fracos nos primeiros meses do ano. A indústria, por exemplo, caiu 2,2% em janeiro e cresceu apenas 0,2% em fevereiro. 

Com o resultado mais fraco do que esperávamos, revisamos a projeção do PIB do primeiro trimestre, de alta na margem de 0,5% para alta de 0,3%”, afirmou o Bradesco em relatório. O banco mantém por enquanto, a projeção de alta de 2,8% para o PIB de 2018, mas considera reduzir a projeção dependendo dos novos indicadores. O Itaú também admite viés de baixa para sua projeção de 3%. E o Santander fala em cortar a previsão de 3,2% para o ano se o PIB dos três primeiros meses ficar perto de 0,5%. O próprio banco projeta alta de 0,6% no trimestre. 

Caso a expansão em torno de 0,5% se confirme, o Banco Votorantim admite que a possibilidade de um crescimento de 3% no ano fica reduzida, conforme relatório dos economistas Roberto Padovani e Carlos Lopes.

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Uma das consultorias mais otimistas, a Pezco esperava um crescimento de 3,9% para este ano. Em março, reduziu para 3,5%. “Voltamos a ter um consumo tímido e os juros não estão chegando na ponta”, diz Yan Cattani, economista da consultoria. A Kapitalo Investimentos também cortou o crescimento esperado de 3,5% para 3% após a frustração com os resultados de janeiro e fevereiro. 

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, diz que não pretende revisar a projeção de crescimento do PIB neste ano, atualmente em 3%. “Mas se entendermos necessária uma revisão, a faremos. Não tem nenhum problema nisso.” / LUCIANA DYNIEWICZ, MÁRCIA DE CHIARA, MARIA REGINA SILVA e THAÍS BARCELLOS


RELEMBRE Após dois anos de queda, PIB sobe 1% em 2017:

 

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