Incertezas prejudicam análise sobre Bolsa

O clima de incertezas e insegurança provocado pelos ataques terroristas aos Estados Unidos mexeu fortemente com os mercados financeiros e ainda gera muitas dúvidas para os analistas. Para quem quer investir em bolsa, a principal recomendação é que apenas o dinheiro que não tem uma data definida para resgate seja aplicado. No mercado acionário, as indefinições ainda são muitas e o preço das ações já reflete este cenário. Exemplo disso são as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Embraer que, desde o início de setembro, acumulam uma queda de 32,15%. Antes dos atentados eram as preferidas nas carteiras e, no cenário atual, são uma das opções mais rejeitadas.Uma recessão na economia mundial, reforçada pelos ataques contra os EUA, poderia fechar a porta para a exportação de aviões da companhia. A Fator Dória Atherino Corretora, por exemplo, alertou sobre os possíveis problemas da Embraer, recomendando apenas a manutenção das ações nas carteiras dos investidores, sem a indicação de compra neste momento. Na sexta-feira, ainda diante de muitas dúvidas e incertezas, a indicação dos analistas passou a ser de compra efetiva. Várias outras corretoras estão fazendo revisões. Um papel que reúne as preferências, mesmo num ambiente de queda livre das ações, é o da Petrobrás. São dois os motivos. O primeiro é a perspectiva de ganho com a possível aceleração do preço internacional do barril de petróleo, por um eventual agravamento do pessimismo. Outro ponto favorável à estatal estaria na continuidade de avanço do dólar. As ações de companhias cujas vendas estejam voltadas apenas para o mercado interno - como as de alimento, consumo e varejo - podem ser escolhas defensivas, num primeiro momento. Mas, se a crise persistir, esses papéis seriam afetados pelo desaquecimento da economia doméstica. Os papéis de bancos também podem ser boa opção, já que as instituições financeiras tiram proveito de adversidades. Vale lembrar que, embora este ano tenha sido negativo para a economia, a maioria dos bancos registrou lucros expressivos e até recordes. As empresas exportadoras também poderão ser favorecidas caso a cotação do dólar se mantenha em níveis elevados. O efeito seria contrário para companhias endividadas em moeda norte-americana.

Agencia Estado,

17 de setembro de 2001 | 09h29

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