Incertezas sobre economia dominam Fórum Econômico Mundial

Evento, que acontece entre os dias 23 e 27, terá clima bastante diferente de 2007; etanol é destaque

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

16 de janeiro de 2008 | 17h20

Com um cenário de uma eventual recessão nos Estados Unidos e turbulências no cenário internacional, o Fórum Econômico Mundial realiza na próxima semana sua reunião anual na estação de esqui de Davos. Segundo a entidade, 2008 deverá ser o ano de maior incerteza tanto no nível econômico como político da última década, uma projeção que preocupa empresários e autoridades. O encontro, que ocorre todos os anos desde a década de 70, está agendado para os dias 23 a 27 deste mês na Suíça. O evento, porém, terá um clima bastante diferente do evento de 2007, quando o otimismo reinava e as projeções não escondiam a confiança no crescimento econômico. Klaus Schwab, presidente da entidade, ainda se recusa a falar de uma recessão. "As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que o crescimento mundial passará de 5% em 2007 para 3,5% em 2008. Isso ainda não é uma recessão e não quero ser exageradamente pessimista", disse. Ele admite, porém, que os debates nesse ano em Davos serão pautados pelo desafio da crise e os riscos da volta da inflação. Segundo ele, os alertas sobre os riscos para a economia já haviam sido dados durante o evento no ano passado. "Ouviu quem quis", disse.  Clima Mas o relatório sobre os riscos no cenário internacional produzido pelo próprio Fórum para servir de base às discussões já mostra que o clima não é de festa. O estudo destaca que os riscos financeiros nos Estados Unidos podem de fato levar a uma recessão. O diretor do Fórum, Richard Samans, também faz o mesmo alerta diante dos números apresentados pela economia americana. Davos, portanto, aponta para a necessidade de que haja um novo pensamento sobre os mecanismos financeiros existentes para evitar crises como a do subprime. A situação internacional ainda recoloca na agenda a questão da vulnerabilidade das economias. Outra questão que se coloca é até que ponto as novas economias emergentes, como China e Brasil, poderão se tornar verdadeiros motores do crescimento mundial. Um dos encontros em Davos será dedicado a debater o papel dos Banco Centrais na injeção de recursos no mercado para evitar a crise. Henrique Meirelles, presidente do BC brasileiro, fará parte do debate ao lado de Jean Claude Trichet, presidente do BC Europeu. Já o chanceler Celso Amorim debaterá os riscos da volta do protecionismo comercial.  Para o Fórum, a atual turbulência está demonstrando que as economias latino-americanas estão em um novo estágio de desenvolvimento. Emilio Lazoya, especialista em América Latina no Fórum, acredita que América Latina será afetada em 2008 com uma eventual recessão. Mas destaca que a crise já teria sido bem maior se a região estivesse com os mesmos padrões de estabilidade financeira que nos anos 90. Personalidades como John Snow e o acadêmico da Harvard Kenneth Rogoff também debaterão a crise internacional e a "insegurança econômica". Davos ainda apresenta como seu tema central a capacidade da inovação e da colaboração de abrir novos caminhos para que obstáculos sejam superados. 2,5 mil pessoas de 88 países estão sendo esperadas para o evento, incluindo 27 chefes de estado, 113 ministros e 74 das cem maiores empresas do mundo. Entre as personalidades que participarão de Davos estão a secretária de Estado norte-americana, Condoleeza Rice, o presidente de Israel, Shimon Peres, o premier britânico, Gordon Brown, Tony Blair, Henry Kissinger, Bill Gates, Bono e a atriz Emma Thompson. Etanol O Fórum também dará um lugar de destaque ao debate sobre o uso do etanol como uma alternativa ao petróleo. O evento na Suíça dedicará uma série de reuniões para debater o impacto do etanol nos preços dos alimentos, nas emissões de CO2 e nas políticas energéticas dos diferentes países. Além de empresas como Petrobras e Dutch Shell, ambientalistas e personalidades foram convidadas para discutir o assunto que, na Europa, está se tornando polêmico. Há dois anos, os biocombustíveis foram considerados como uma das melhores alternativa à atual estrutura energética de vários países. Mas com questionamentos por parte de ecologistas sobre o impacto da produção e com a alta nos preços dos alimentos, especialmente por causa do uso do milho nos Estados Unidos, uma resistência começou a crescer contra o etanol. Um dos convidados para falar do assunto será o ex-ministro do Desenvolvimento, Luis Fernando Furlan. O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, e o presidente da Nestlé, Peter Brabeck, debaterão o problema do acesso à água. O executivo já afirmou que é contra o uso do etanol de milho diante do consumo de água que essa produção exige. O prêmio Nobel da Paz, Rajendra Pachauri, também falará sobre o tema de mudanças climáticas, assim como o ex-vice-presidente americano Al Gore e o cantor Bono.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.