Ernesto Rodrigues / Estadão
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Inclusão de Estados na reforma da Previdência a deixará mais poderosa, diz Doria

Em encontro com investidores em Londres, governador paulista disse que reforma será aprovada até o final de agosto; em viagem, ele busca atrair investimentos ao Estado

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2019 | 09h45

LONDRES - A perspectiva de aprovação da reforma da Previdência impulsionou desejos dos investidores internacionais, na avaliação do governador de São Paulo, João Doria, feita após reunião com potenciais aplicadores de recursos no Brasil, em Londres, nesta segunda-feira, 8. Segundo ele, já havia um "olhar" para o Brasil e agora, com a iminência da votação esse "olhar" se tornou decisivo para o País. "São Paulo quer sair na frente, não vamos ficar sentados esperando", disse a jornalistas no primeiro dia de uma agenda movimentada pela capital britânica e Cambridge até quinta-feira.

Doria relatou que passou um prognóstico otimista para os investidores com os quais se reuniu. "Afirmamos que será aprovada, não supomos. Será [aprovada] até o fim de agosto", disse detalhando a previsão de que na semana que vem o projeto receberá o aval da Câmara e, na volta do recesso, do Senado. "Isso é um passo extraordinário para o Brasil, é uma mudança de paradigma para o País", considerou, utilizando previsões feitas pelo governo federal de que, após a reforma, o Brasil poderá receber cerca de R$ 1 trilhão em investimentos pelos próximo 12 anos.

Em Londres, Doria defendeu um tema ainda bastante polêmico no governo e no Congresso: a inclusão dos Estados e municípios na proposta de reforma da Previdência.  "Para que seja mais consistente, duradoura e poderosa do ponto de vista da economia fiscal, a inclusão dos Estados e municípios será muito importante", disse ele. 

Há alguns dias, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, um dos principais articuladores do projeto, considerou que a entrada de Estados poderia inviabilizar a aprovação da reforma e colocar em risco cerca de 50 a 60 votos já dados como certos até agora. No fim de semana, ele teve reuniões em sua casa, em Brasília, para tratar do tema.

Alguns governadores do Nordeste também vinham assumindo uma posição contrária à entrada dos Estados na reforma e chegaram a avisar deputados de seus Estados que se arrependeriam se votassem a favor. Boa parte dos governos do Nordeste é de oposição ao atual governo. Para Doria, no entanto, ainda há possibilidade de haver a inclusão quando o projeto for para o Senado. "Há interesse dos líderes para que inclusão seja feita A meu ver, algumas questões, principalmente da região Nordeste, foram superadas."

Comitiva

Além de Doria, representam o Estado na capital britânica o secretário de Fazenda, Henrique Meirelles, de Relações Internacionais, Julio Serson, e o presidente do InvestSP, Wilson Mello. De acordo com eles, os maiores interesses durante o encontro foram pelos setores de óleo e gás, agronegócios (açúcar, álcool, etanol e suco de laranja), tecnologia e inovação e aeroportos regionais, além das linhas 8 e 9 do metrô. Não houve, no entanto, nenhum anúncio oficial de investimentos, o que deve ser feito amanhã durante visitas a duas empresas que já atuam no Estado. "São enunciados e darão sequência agora em Londres e no Brasil. Já acertamos a ida de investidores para reuniões em São Paulo. Estamos otimistas", disse o governador.

Mello explicou que esta foi uma oportunidade de ouvir os investidores para saber por qual modelo de negócios têm preferência. "Falaram sobre modelo básico de outorga. Como Estado, não temos preconceito. Vamos buscar a melhor solução para cada projeto", disse o executivo que atua pela primeira vez no governo, após carreira em grandes empresas como BRF e Danone. Meirelles explicou que no caso de rodovias, prioridade é obter investimentos. O governo, de acordo com ele, deve fixar um valor mínimo de investimento e um valor máximo de tarifa em horário de pico e, a partir dessas referências, fazer a outorga. "O foco não é tributário, mas de maior investimento no Estado", explicou.

Questionados por uma jornalista britânica sobre o impacto social desses investimentos, Doria disse que as concessões têm visão social porque q são fortes geradoras de emprego, já que o setor de engenharia emprega do "mais modesto ajudante de obras até o mais qualificado engenheiro". "Não dá para fazer obras de grande infraestrutura sem grandes contratações. Sou um liberal, do ponto de pista de posição política", disse, citando que é filiado ao PSDB. A legenda, de acordo com ele, neste momento se reposiciona como partido de centro e respeita posições de esquerda e direita, mas tem visão liberal de economia. "É o que prevalece em São Paulo."

Para o governador, haverá mais intensidade de investimentos a partir do segundo semestre por causa da reforma da Previdência. "Os valores também ficam mais atraentes com perspectiva de crescimento econômico", comparou. De acordo com Meirelles, há a possibilidade de o Estado voltar ao seu ritmo de crescimento superior em 20% ao do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o que não vinha sendo verificado nos últimos anos. Para Doria, essa relação pode chegar até a 40%. Ele lembrou que o Estado já tem tradição em programas de desestatização e que, das 500 maiores da revista Fortune, 406 estão em São Paulo.

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