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Incorporação do Rede põe Energisa à prova

Entre as distribuidoras adquiridas pela empresa, Cemat (MT) e Celtins (TO) são as que apresentam os piores indicadores e exigirão mais investimento

Naiana Oscar e Wellington Bahnemann, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2014 | 02h04

A aquisição do Grupo Rede vai impor um dos maiores desafios à centenária história da Energisa no setor elétrico brasileiro. Sua vocação para o negócio de distribuição de energia será testada ao incorporar algumas das distribuidoras mais problemáticas do País, ao mesmo tempo em que terá de lidar com as pressões de uma operação mais endividada, num momento em que o setor elétrico passa por uma crise, com risco racionamento.

Ao assumir os ativos do Rede, a Energisa se prepara para enfrentar as novas exigências de um setor altamente regulado como o de distribuição, no qual eficiência e escala são palavras-chave para determinar a sobrevivência das empresas. "Da noite para o dia, ela terá uma base de ativos que levaria dez anos para conseguir", disse diretor da agência Fitch Ratins, Ricardo Carvalho.

Se a operação faz sentido no longo prazo, ele lembra que a incorporação de uma empresa tão complicada quanto o Grupo Rede tem o seu preço a pagar. Resultado disso são pressões creditícias no curto prazo, em razão do aumento do endividamento e da necessidade de grandes investimentos para ajeitar as concessionárias. "O desafio é colocá-las dentro de bases rentáveis."

As concessões do grupo Rede podem ser divididas em duas categorias: as que têm bons indicadores operacionais (como as distribuidoras de São Paulo, do Paraná e a Enersul, do Mato Grsso do Sul); e as que descumprem as metas fixadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que são a Cemat (MT) e a Celtins (TO). "Esses são os ativos mais críticos", diz Ricardo Botelho, presidente da Energisa. "A Celtins tem uma margem baixa e obrigações de investimento muito altas, porque os consumidores estão espalhados. Lá, o segredo será trabalhar a gestão de custos."

Ao mesmo tempo, tanto a Celtins quanto a Cemat atuam em mercados que crescem acima da média nacional. "A Energisa terá de investir para resolver os aspectos operacionais e para expandir a rede elétrica de modo a acompanhar o crescimento do mercado consumidor", afirma um ex-diretor do Grupo Rede.

Qualidade. Os dados da Aneel revelam o tamanho do desafio da família Botelho, dona da Energisa. Sob a ótica da duração das interrupções de energia (DEC), um dos principais indicadores para mensurar a qualidade do serviço prestado, os índices da Cemat e da Celtins estão muito acima da média nacional e das metas regulatórias. Ao fim de 2013, a Cemat havia ficado 30,12 horas sem fornecer energia e a Celtins, 38,8 horas. A média nacional foi de 18,27 horas - quase a metade.

Os problemas de gestão e de falta de investimentos ficam mais evidentes quando as duas distribuidoras são comparadas com a Enersul, outra concessionária de grande porte do Rede. No fim de 2013, o indicador de interrupção de energia da empresa era 11,82 horas. A Enersul foi gerida até 2008 pela EDP no Brasil, quando foi comprada pelo Grupo Rede em uma troca de ativos. "O antigo dono acelerou os investimentos na melhoria da qualidade do serviço", disse a fonte. Mais do que introduzir novas tecnologias e modernizar os ativos, o ex-diretor do Rede diz que a principal contribuição da Energisa às concessionárias adquiridas será a disciplina - financeira e de gestão.

Sobre a crise do setor elétrico, os Botelho acreditam que a situação não prejudica a integração do Rede. "O governo está adotando medidas, tem uma solução à vista que vai salvaguardar o caixa, e estamos confiantes", diz Maurício Botelho, diretor financeiro do grupo. A exposição média das 13 concessionárias é de 3% - esse é o porcentual que elas têm de comprar no mercado à vista de energia, ficando expostas ao sob e desce do preço. Com as mudanças que foram feitas no setor, há empresas cujo nível de exposição supera os 30%.

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