Incorporadoras evitam definir suas metas

Informações das principais companhias de capital aberto divulgadas neste mês mostram incertezas na atuação para os próximos meses

Circe Bonatelli ,

29 de maio de 2014 | 09h35

SÃO PAULO - O calendário atípico de 2014 – com Copa do Mundo e eleições – somado à pouca previsibilidade sobre os rumos da economia brasileira têm dado nó na cabeça de empresários do setor da construção. O balanço das grandes incorporadoras mostrou que os lançamentos e vendas nos primeiros meses continuaram saudáveis, mesmo com os negócios andando mais lentos que nos últimos anos. Entretanto, quando se olha para frente, o clima é de incerteza.

Mesmo estando quase na metade do ano, as incorporadoras não sabem ao certo quanto vão lançar em 2014. É uma situação diferente da que costuma ocorrer a cada ano, quando a maioria delas divulga suas estimativas ou metas oficiais.

Desta vez, o discurso recorrente no setor é de que os lançamentos irão ocorrer aos poucos, sem comprometimento com quantidade.

As avaliações a respeito do mercado imobiliário serão feitas e refeitas periodicamente, com muita atenção à velocidade de comercialização dos imóveis e ao escoamento dos estoques. O discurso sinaliza que os tempos de euforia estão, definitivamente, ultrapassados.

Na incorporadora Eztec, que ficou em sexto lugar na categoria Incorporadoras, com 32,54 pontos, a determinação dada pelo conselho de administração aos seus executivos é a de divulgar uma estimativa dos lançamentos para 2014 somente depois que a companhia tiver uma noção precisa de como foi a receptividade dos consumidores para os empreendimentos já lançados no começo deste ano.

"É intenção da companhia divulgar o guidance (meta oficial), sim", afirma o diretor de relações com investidores, Emílio Fugazza. "Mas só vamos conseguir ver melhor qual será a partir dos resultados deste trimestre." Segundo ele, "com as notícias ruins que vemos nos jornais envolvendo as oscilações da economia, e a questão do calendário, o conselho preferiu esperar um pouco".

A Eztec possui quatro projetos – três em São Paulo, um em Osasco – com lançamentos já programados para ocorrer até o fim de junho. Ao todo, esses projetos possuem valor geral de vendas (VGV) de R$ 340 milhões. Neste ano, a incorporadora já lançou empreendimentos com VGV de R$ 311,2 milhões. Dessa forma, os lançamentos no primeiro semestre devem totalizar R$ 651 milhões, montante 34% maior do que no primeiro semestre de 2013.

Segundo Fugazza, isso demonstra que a companhia ainda vê boas oportunidades de vendas no mercado imobiliário, apesar de, neste ano, o calendário estar pressionado pela Copa do Mundo e pelas eleições, que irão desviar a atenção dos compradores de imóveis nos próximos meses. "Acreditamos que as vendas continuarão nesse período", afirmou.

Estoque. Além das incertezas ligadas ao calendário e à economia do País, na Cyrela Brazil Realty, 3º lugar no Top Imobiliário na categoria incorporadoras, com 39,17 pontos, o grande desafio está na venda de estoques, especialmente das unidades prontas, que geram custos adicionais de manutenção, como condomínio e IPTU.

Os imóveis prontos da companhia atingiram R$ 1,1 bilhão em valor de mercado no fim de março. O número equivale a 15,3% do estoque total, um nível alto. Embora não exista um porcentual ideal para unidades já concluídas, analistas e empresários costumam dizer que até 10% pode ser considerado um patamar saudável.

De acordo com previsões da Cyrela, o volume de imóveis prontos deve subir mais nos próximos meses em razão do grande volume de obras prestes a serem entregues. Diante disso, a companhia anunciou que irá reforçar as ações para vendas dos estoques a partir de campanhas publicitárias e oferta de descontos pontuais em alguns projetos.

Planos. Mesmo diante do cenário mais apertado, não há planos para se pisar no freio em relação aos novos projetos, segundo indicou o copresidente, Raphael Horn.

"Enquanto o mercado para lançarmos estiver bom, este é o cenário hoje, vamos continuar lançando", disse em conversa com investidores e analistas na metade de maio. O executivo evitou citar números precisos para 2014, mas ressaltou que os lançamentos são importantes para motivar as equipes de vendas e atrair clientes, uma vez que novos projetos têm muito mais apelo entre os consumidores do que os estoques.

Outras companhias optaram por não se comprometer com um volume definido de lançamentos, porque a prioridade é dar sequência ao processo de reestruturação iniciado em 2012, quando chegaram a amargar prejuízos em função dos atrasos de obras e descontrole de orçamentos.

"Nossa preocupação número um é rentabilidade e geração de caixa", diz o diretor presidente da PDG Realty, Carlos Piani. "Não vamos lançar (novos projetos) apenas para reforçar o faturamento. Só vamos fazer se houver um bom retorno. Se não houver, não faremos", ressalta.

Após divulgar seu balanço, a PDG anunciou que busca expandir as operações em 2014, mas o foco continua sendo gerar caixa no curto prazo para diminuir seu endividamento, além de melhorar a rentabilidade.

A situação é semelhante na Tecnisa, segunda coloca no Top Imobiliário com 55,96 pontos. A prioridade da companhia é recuperar as margens. Ela não trabalha com metas, mas planeja dar continuidade aos lançamentos em fase de seu principal projeto, o Jardim das Perdizes, minibairro em construção na zona oeste da capital paulista.

A Tecnisa – dona de 75% do projeto feito em parceria com a PDG, dona de 25% – lançou as torres da segunda fase do empreendimento agora em maio. A importância do projeto são as margens mais elevadas, o que ajudará a companhia na recuperação da rentabilidade.

A Gafisa, 5ª colocada, com 34,04 pontos, foi a única das grandes a divulgar meta de lançamentos. Anunciou no fim de 2013 que projeta lançar em 2014 empreendimentos com VGV entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,5 bilhões. Até o encerramento do primeiro trimestre, os lançamentos somavam R$ 535,4 milhões, equivalente a 23% do ponto médio do guidance.

Mesmo após a divulgação dos planos, o diretor financeiro e de relações com investidores, André Bergstein, não descarta, porém, a postura cautelosa. "Temos a perspectiva de lançar dentro do guidance, sim. O guidance é uma orientação para o mercado do que planejamos fazer. Mas não me sinto obrigado a fazer. Antes de tudo, vamos olhar o mercado." Na avaliação de Bergstein, a demanda continua saudável tanto no segmento de imóveis de médio e alto padrão, foco da Gafisa, quanto no segmento econômico, dentro do Minha Casa, Minha Vida, ramo da subsidiária Tenda. Para os próximos meses, porém, Bergstein não descarta que ocorram oscilações.

As incorporadoras e o Top Imobiliário

"É grande satisfação ser indicado, demonstrando crescimento consistente em um mercado que ainda apresenta muitas oportunidades "

João Azevedo, EVEN

"Estar no Top é consolidar o trabalho de muitos anos. É bom sermos reconhecido"

Douglas Duarte, TECNISA

"Significa que estamos no caminho certo. Temos 56,8% das operações na Grande São Paulo"

Henry Borenstein, HELBOR

"Nosso desafio é trabalhar tendências e superar expectativas, através do compromisso responsável de uma marca sólida"

Emílio Fugazza, EZTEC

"Estamos honrados. Aderimos a princípios de responsabilidade socioambiental e temos como foco a satisfação de clientes e projetos relevantes"

Sérgio Kertész, ODEBRECHT

"Estar no seleto grupo das melhores mostra que estamos na trilha certa"

Marcos Yunes, YUNY

"Ao completarmos 60 anos de atuação, a premiação é incentivo à valorização de nossas origens e cultura"

Sandro Gamba, GAFISA

"Estamos muito satisfeitos com a indicação. É mais uma conquista a ser comemorada"

Rodrigo Uchôa Luna, PLANO & PLANO

"O prêmio confirma que nossa missão e valores são bem percebidos"

Antônio Setin,SETIN

"É uma honra estar pelo 15º ano no Top. Parabenizo todos que contribuíram com este reconhecimento e reforço a importância deste momento para a empresa"

Piero Sevilla, CYRELAAs incorporadoras e o Top Imobiliário

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