Incorporadores vislumbram um aumento da demanda

Os sinais promissores ainda são tênues, mas indicativos de que a maioria dos produtores de habitação continua ativa e não olha para o retrovisor

O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2017 | 06h53

Os lançamentos de imóveis na planta aumentaram 9% – de 64 mil para 69,8 mil unidades – entre 2015 e 2016, segundo levantamento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que reúne as principais empresas do setor. Também cresceu o número de imóveis entregues, de 126,5 mil para 140,9 mil (+11,4%), indicando que, apesar do ambiente difícil para os negócios – uma grande construtora, a PDG, entrou com pedido de recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 6,2 bilhões –, o segmento alimenta expectativas favoráveis.

Os sinais promissores ainda são tênues, mas indicativos de que a maioria dos produtores de habitação continua ativa e não olha para o retrovisor. Na hipótese mais benigna, é um indício de que a fase mais aguda da crise imobiliária vai ficando para trás, não obstante tenha deixado um saldo negativo para empresas, consumidores e credores.

Por exemplo, as vendas de 103,2 mil imóveis em 2016 foram inferiores em 8% às de 112,2 mil unidades em 2015, mas a queda entre os meses de dezembro dos dois anos foi de apenas 0,2%. Isso já permite supor que o mercado começa a se estabilizar, em níveis baixos. Entre 2014 e 2015, a queda havia sido de 14,5%, de 131,3 mil para 112,2 mil unidades.

O fato mais relevante é o avanço dos lançamentos, pois entre a elaboração do projeto, a execução e a entrega da obra decorre longo prazo, em geral de três a cinco anos. Isso quer dizer que os incorporadores acreditam que a demanda voltará a crescer, provavelmente, entre o segundo semestre de 2017 e o início de 2018, em decorrência da retomada do ritmo da atividade econômica.

Outro indicador positivo é a diminuição do número de distratos (desistência do negócio pelos compradores), com queda de 7,1% entre 2015 e 2016 e de 14,3% entre os meses de dezembro dos dois anos.

Embora os sinais de melhora sejam tênues, a queda da inflação e dos juros torna os mercados de risco mais atrativos, como já se viu na reação recente do segmento acionário. Quando os estoques baixarem e for mais difícil encontrar o imóvel com as características desejadas, estará formado o ambiente propício à recuperação.

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