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Incubadoras de SP se unem em busca de mais recursos

Rede é formada por 247 empresas de TI, biotecnologia e meio ambiente

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

Cerca de 250 jovens e promissoras empresas da área de tecnologia estarão conectadas a partir de hoje, com a criação da Rede de Apoio à Inovação Tecnológica nos Empreendimentos em Criação (Raitec). A Raitec vai integrar companhias de tecnologia da informação, saúde, biotecnologia,eletroeletrônica, metalmecânica e meio ambiente de dez incubadoras do Estado de São Paulo, na tentativa de obter mais financiamentos e espaço no mercado. ''''Queremos aumentar a taxa de sucesso das empresas incubadas'''', diz o coordenador da Raitec, Oscar Enrique Nunes.Para isso, elas receberão nos próximos dois anos a ajuda extra de R$ 981 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O auxílio é adicional porque todas as 247 empresas já estão incubadas, ou seja, já usufruem de espaço físico e estrutura como telefone, água, luz e computador a custos menores que os de mercado. Além disso, recebem treinamento especializado em negócios e acesso a consultores, cursos e laboratórios. Os recursos do Finep serão destinados a participação em atividades como consultorias em propriedade intelectual, requisição de patentes e registro de marcas e certificações.O número de incubadoras mais que dobrou nos últimos cinco anos no Brasil. Segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), em 2006 existiam 359 entidades como essas funcionando no País, ante 150 em 2001. São mais de 4 mil empreendimentos incubados. Segundo o coordenador do Raitec, o suporte nos primeiros passos aumenta as chances de sobrevivência da empresa após sua chegada ao mercado. ''''A taxa de sobrevivência de um negócio que passou de um a quatro anos incubado chega a 80%, ante 50% dos negócios que nasceram sem o apoio'''', diz Nunes.A Adespec, que produz um tipo de adesivo e selantes à base de água para uso industrial e doméstico retrata bem o impacto do período na trajetória de uma empresa. A companhia surgiu de uma necessidade da engenheira química Wang Shu Chen, que, quando trabalhava em uma multinacional da área química, teve uma leucemia por causa da exposição a solventes. Depois de tratar a doença, Chen desenvolveu a ''''cola ecológica'''' e incubou o projeto na Cietec, da Universidade de São Paulo (USP). ''''Lá, o empresário não precisa pensar em mais nada, a não ser em seu projeto'''', diz o diretor Flávio Lacerda.Além da estrutura física oferecida pelo Cietec, a proximidade com a universidade facilitou o crescimento do negócio. ''''Muitas empresas de ponta vêm até aqui verificar o que está sendo feito'''', conta Lacerda. Numa dessa visitas, a construtora Gafisa conheceu o projeto da Adespec e firmou um contrato para o uso da cola em suas obras. Em seguida, vieram parcerias com a Cebrace, do grupo francês Saint-Gobain, e a Eternit. ''''A experiência foi tão positiva que decidimos prorrogar a incubação no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).''''Em março deste ano, a Adespec recebeu um aporte de capital do fundo de investimentos Rio Bravo, do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Os diretores da Adespec não revelam o valor do investimento, mas afirmam que é o suficiente para levar a empresa a um faturamento de R$ 50 milhões num prazo de cinco anos. Este ano, a expectativa é de uma receita de R$ 3 milhões.Mas engana-se quem pensa que a empresa deixou as salas da Cietec. Mesmo com a inauguração da fábrica em Taboão da Serra (SP), no ano passado, a Adespec está desenvolvendo um novo produto na incubadora da USP.Manter ''''células'''' de empresas nas incubadoras não é uma situação incomum. O laboratório farmacêutico Eurofarma, por exemplo, tem projetos da sua área de pesquisa e desenvolvimento sendo desenvolvidos no Cietec. ''''Diferentemente do que a maioria pensa, nem todos os projetos vêm da academia. Eles representam apenas 35% do total'''', explica Nunes, da Raitec.

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