Indefinição argentina trava negócios de trigo entre Brasil-EUA

As importações de trigonorte-americano ou canadense por empresas brasileiras nãoevoluíram nesta semana, com os moinhos do Brasil aindaesperando uma definição do governo da Argentina sobre aliberação das vendas externas do produto, disseram traders euma fonte da indústria. As vendas externas do trigo da Argentina, onde o Brasilbusca a maior parte do produto importado, continuam suspensaspelo governo do país vizinho, que luta para controlar ainflação e tenta garantir uma oferta interna na entressafra. No entanto, autoridades do parceiro comercial do Mercosuljá prometeram por mais de uma vez aos colegas brasileiros aliberação dos registros de exportação, que era esperada para oinício desta semana e não se confirmou. Agora, os moinhos doBrasil aguardam o fim da suspensão das vendas para a próximasemana. "Ficou de resolver na terça-feira da semana que vem, mas opessoal que está em contato com o governo argentino estáreceoso. O que eles me passam é que o governo está um poucoperdido sobre como operacionalizar isso", afirmou à Reuters portelefone o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih,tradicional cliente dos argentinos. De acordo com o empresário, o governo argentino temedescontentar pequenos produtores, depois dos protestos dosagricultores contra uma alta nos impostos de exportação degrãos. COMPRAS FORA DO MERCOSUL Quando os preços internacionais recuaram um pouco, háalgumas semanas, empresas brasileiras foram ao mercado nohemisfério norte, comprando até agora cerca de 300 miltoneladas de trigo, a maior parte com origem norte-americana. E apenas não compraram mais porque muitos ainda tinhamexpectativa de que os argentinos abririam as exportações --ogoverno brasileiro estipulou uma cota de 1 milhão de toneladaspara importações fora do Mercosul livre da tarifa incidentesobre negócios feitos extra bloco comercial. Mas, mesmo sem a tarifa, conhecida como TEC, os moinhosbrasileiros que compram nos EUA ou no Canadá ainda pagam umfrete mais caro do que o da rota entre Argentina e Brasil, alémde uma outra taxa, a de Marinha Mercante (25 por centoincidente sobre o frete). "Quem é que vai comprar o americano ou canadense sabendoque a qualquer momento terá um trigo mais barato. Por issoprotelamos as compras...e estamos quase sem trigo", disse Pih,lembrando que se a Argentina demorar muito mais para liberar asexportações, em um determinado momento, os moinhos brasileirosvão "correr" para o produto dos EUA e isso vai aumentar ospreços. Um trader de trigo de São Paulo, que pediu para não seridentificado, é menos otimista com a eventual liberação dasexportações argentinas. "Existe a expectativa de que a Argentina abra. Mas cada vezmais um número menor de pessoas acha que a Argentina vai abrirna próxima semana. Começo a pensar que os argentinos estãojogando com o Brasil. Cada vez que compramos o americano, elesfalam que vão abrir", afirmou o corretor, que aposta em maisnegócios com o grão do hemisfério norte nas próximas semanas. (Edição de Denise Luna)

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