Indefinição de preço atrasa venda do Panamericano

Nem Silvio Santos, nem seu principal credor, o FGC, estariam satisfeitos com o valor oferecido pelo BTG Pactual

David Friedlander e Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2011 | 22h33

Diferentemente do que esperavam todas as partes envolvidas na negociação, a venda da fatia de Silvio Santos no Panamericano para o BTG Pactual continuava indefinida até o início da noite de ontem. A expectativa inicial era de que o martelo seria batido durante o fim de semana, para que a situação já estivesse acertada hoje, antes da abertura do mercado financeiro. O Estado apurou que a principal divergência diz respeito ao preço.

Embora tenha aceitado, a contragosto, vender sua participação no banco, Silvio não estaria satisfeito com o valor oferecido pelo banco de André Esteves. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC), credor do empresário em R$ 2,5 bilhões, também estaria insatisfeito.

Sem a conclusão do negócio, a divulgação do balanço do Panamericano foi novamente adiada. O objetivo inicial era anunciar hoje os números relativos ao terceiro trimestre e aos meses de outubro e novembro de 2010.

A ideia era mostrar os dados junto com a solução para cobrir o novo rombo nas contas do banco, revelado pelo Estado na quinta-feira. Por ora, não há previsão de nova data para a divulgação do balanço.

Além dos R$ 2,5 bilhões descobertos pelo Banco Central (BC) no segundo semestre do ano passado, há mais um buraco, que seria de R$ 1,5 bilhão. Uma das divergências na negociação com o BTG diz respeito justamente ao tamanho do rombo adicional, que poderia ser menor. Quando soube do novo problema, Silvio contratou profissionais para checar minuciosamente as contas.

Checagem de dados. Representantes de Silvio, do BTG, da Caixa Econômica Federal (que detém um terço do capital do Panamericano) e do FGC passaram o fim de semana negociando em São Paulo. Outros profissionais, ligados ao banco comprador, checaram documentos e livros do banco.

Já se sabe que Silvio não ficará com nada do que for obtido com a venda. Parte do dinheiro será usada para tapar o novo rombo - e, com isso, permitir que o banco continue funcionando - e o que sobrar servirá para abater a dívida do empresário com o FGC. Se a proposta do BTG for grande o suficiente para cobrir os estimados R$ 4 bilhões, Silvio resolveria todos os problemas em relação ao banco.

Na sexta-feira, o Panamericano enviou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um fato relevante em que admitiu as negociações com outros bancos. Ao longo de janeiro, as ações da instituição na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tiveram altas expressivas. Até quinta-feira, acumulavam valorização no mês de quase 20%.

Após a informação de que o buraco no balanço era maior, os papéis perderam quase 10% em um único dia, reduzindo o ganho mensal para menos de 9%.

A fraude contábil veio a público no início de novembro, quando o FGC emprestou os R$ 2,5 bilhões para Silvio quitar a dívida. Em troca, o empresário ofereceu todo seu patrimônio pessoal como garantia.

O FGC é uma entidade criada pelos bancos em 1995 com objetivo de cobrir parte dos depósitos dos correntistas em caso de quebra de alguma instituição.

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