Indenização pela YPF, só com um novo governo argentino, diz Repsol

‘Minha visão é de que em três ou quatro anos deveremos ter esse assunto solucionado’, afirmou  em coletiva Antonio Brufau, presidente da petroleira espanhola

Marina Guimarães, correspondente,

29 de maio de 2012 | 16h57

BUENOS AIRES - O presidente da espanhola Repsol, Antonio Brufau, afirmou que uma indenização pela expropriação dos 51% que o grupo controlava na petroleira YPF, ocorrida há pouco mais de um mês, só poderá ser negociada com um novo governo na Argentina. Brufau disse que o grupo Repsol "tem vontade política" de negociar uma compensação.

"Estou convencido de que o novo governo argentino negociará. Minha visão é de que em três ou quatro anos deveremos ter esse assunto solucionado", afirmou em entrevista coletiva em Madri. "Creio que há políticos muito responsáveis na Argentina e espero que, em algum momento, eles se sentem com todos aqueles que se sentiram prejudicados", disse Brufau durante a apresentação do plano estratégico da empresa para o período 2012-2016.

Quando a expropriação foi anunciada, Brufau estimou o valor de suas ações da YPF em US$ 10,5 bilhões. "Eu gostaria de acreditar que há vontade de falar e vontade de negociar por parte do governo argentino, mas até o momento não vimos isso", afirmou.

O executivo também pediu ao governo de Cristina Kirchner que lance uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelos títulos da YPF que não foram expropriados em abril. E, estimou que a Repsol poderia ficar com até 12% do capital da YPF. "Aos 6% que Repsol têm, há que somar mais 6% das garantias de empréstimo ao Grupo Petersen, o qual é bastante provável que resulte não ser pago", afirmou o executivo. A referência foi à dívida que o grupo argentino mantém com a empresa espanhola e com bancos credores, e que não foi paga há algumas semanas. O crédito foi usado pelo Grupo Petersen para comprar 26% das ações da YPF, as quais foram dadas como garantia.

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