Independência quer arrendar unidades para evitar falência

Frigorífico, que está em recuperação judicial desde 2009, fracassou na tentativa de vender ativos, no início do mês

SUZANA INHESTA, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h06

Após a fracassada tentativa de realizar um leilão de venda de ativos, cujas propostas foram rejeitadas pelos seus credores em assembleia geral no início do mês, o frigorífico Independência tenta agora arranjar uma outra solução que evite a falência.

Na última segunda-feira, advogados e sócios da empresa, que está em recuperação judicial desde maio de 2009, se reuniram com representantes das federações da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), de Goiás (Faeg) e de Mato Grosso (Famato), para tentar uma saída alternativa junto com os credores pecuaristas.

De acordo com o assessor jurídico da Famasul, Carlo Daniel Coldibelli, que participou das discussões, a intenção do Independência é trabalhar mais próximo dos credores pecuaristas na busca de uma solução. "Eles (Independência) estão pensando em preparar um novo leilão, mas, dessa vez, ao invés da venda de ativos, seria para arrendar as unidades. Com essa receita, os débitos com os credores pecuaristas e fornecedores seriam quitados prioritariamente e, depois, os dos outros credores", disse Coldibelli à Agência Estado.

As unidades que poderão fazer parte do novo leilão são as mesmas que constaram na tentativa de venda de ativos: três unidades industriais - sendo uma em Nova Andradina e uma em Campo Grande, ambas em Mato Grosso do Sul, e outra em Senador Canedo, em Goiás -, um curtume em Nova Andradina (MS), dois armazéns (Santos e Barueri, no Estado de São Paulo) e quatro terrenos.

Transferência. Nas duas últimas assembleias, os credores pecuaristas já haviam sugerido uma solução na qual eles seriam envolvidos diretamente. A ideia era a transferência - via venda ou doação - de uma ou mais unidades produtivas a eles. Os pecuaristas iriam gerir esses ativos e, com o dinheiro oriundo das atividades dessas unidades, o pagamento aos credores seria feito aos poucos.

"A sugestão anterior era viável, mas o trabalho seria muito complexo. Geraria um problema operacional, já que o grupo de credores que poderia assumir as unidades teria de se transformar em pessoa jurídica, por exemplo", disse o assessor jurídico da Famasul. "Arrendar unidades é a proposta mais saudável", completou.

Para efetivar a nova solução, cada federação fará reuniões com seus credores representados para que todos os envolvidos tomem conhecimento e analisem a proposta. Caso haja consenso, a alternativa será levada para discussão e votação na próxima assembleia, que ainda não tem data definida e que pode até ser realizada somente no ano que vem.

A Famasul informou que realizará reunião com seus credores na próxima segunda-feira, assim como a Famato. A Faeg deve promover esse encontro amanhã. "O momento que estamos vivendo é o amadurecimento de todas essas assembleias que tivemos", enfatizou Coldibelli. Procurados pela Agência Estado, os advogados do frigorífico não retornaram os contatos até o fechamento desta edição.

Falência. Com o encerramento da última assembleia, o Independência voltou à posição de inadimplente e vários pedidos de falência (de credores pecuaristas, bancos, fornecedores) foram protocolados no Fórum de Cajamar (SP). Para decretar a concordata do frigorífico, seriam necessários ainda os pronunciamentos do Ministério Público, do administrador judicial e da empresa para a decisão final da juíza do processo. Entretanto, a nova solução pode "salvar" o frigorífico de uma eventual falência. As dívidas do Independência estão em cerca de R$ 2,1 bilhões.

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