Índia quer tecnologia e álcool combustível do Brasil

A decisão da Índia de misturar 5% de etanol à gasolina até o final deste ano, aumentando o percentual para 10% no curto prazo, vai favorecer a formação de joint-ventures entre empresas de bens de capital dos dois países. A Índia tem capacidade industrial para aumentar sua produção de álcool de 1,7 bilhão para até 3 bilhões de litros anuais, mas não consegue produzir o álcool combustível a preços competitivos. "Teremos que reformar nossas indústrias para conseguir fabricar o etanol a preços viáveis", disse o cônsul geral da Índia, Deepak Bhojwani, que esteve reunido hoje, em Sertãozinho (SP), com empresários ligados ao setor sucroalcooleiro. Segundo o cônsul Deepak Bhojwani, a Índia, maior produtor mundial de açúcar, com 18 milhões de toneladas anuais, não conseguiria economia de escala na produção de álcool. Ele diz que a tecnologia alcançada pelas indústrias de equipamentos brasileiras é praticamente imbatível, e deve nortear as novas destilarias que serão construídas em seu país.A Índia, porém, não deverá comprar muitos equipamentos das indústrias brasileiras, principalmente as instaladas em Sertãozinho e Piracicaba. "Será muito mais interessante para eles comprar know-how", argumenta o presidente da Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho, Maurílio Biagi Filho. "Seria inviável vendermos uma caldeira pronta para eles", diz Biagi lembrando que o porte dos equipamentos e a distância tornam o negócio impraticável.A Índia poderá importar álcool brasileiro até o final deste ano, para misturar na gasolina. O negócio poderá envolver até 400 milhões de litros ao ano de álcool anidro, mas as compras se restringiriam a, no máximo, dois anos. A possibilidade da importação foi levantada pelo cônsul-geral Deepak Bhojwani. "Não descartamos a importação", disse.A Índia, porém, quer ser auto-suficiente na produção de etanol, para diminuir sua necessidade de petróleo. "Importamos 65% do petróleo que consumimos", lembra Bhojwani. A importação por até dois anos seria uma alternativa para que o parque sucroalcooleiro da Índia fosse reformado e construídas novas destilarias. Caso a importação se concretize, a Índia seria o primeiro novo cliente para as empresas negociadoras que, nesta safra estão interessadas em tirar do mercado brasileiro um bilhão de litros de álcool. "As ?tradings? envolvidas nesta operação teriam justamente a exclusividade de vender para o mercado da Índia e China", ressalta o usineiro Maurílio Biagi Filho.

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