Índia vê com bons olhos oferta dos EUA na rodada de Doha

A Índia recebeu com satisfaçãouma oferta feita pelos Estados Unidos para limitar seuspolêmicos subsídios agrícolas como parte de esforços parasalvar as negociações sobre o comércio mundial, mas se viuimediatamente pressionada pelo governo norte-americano a fim derealizar, ela própria, concessões. Mais de 30 ministros do Comércio negociam em busca de fazeravançar a negociações da Rodada de Doha, realizadas sob ocomando da Organização Mundial do Comércio (OMC) e iniciadassete anos atrás. "A primeira coisa que precisamos notar e elogiar é que osEUA estão avançando", disse o ministro indiano do Comércio,Kamal Nath, a repórteres. O governo norte-americano precisa cortar os subsídios aindamais, disse Nath. No entanto, a manobra de terça-feira mostraque o impasse aproxima-se de ser superado, ressaltou oministro, mostrando mais otimismo do que horas antes, quandodisse que a oferta dos EUA era "totalmente inadequada"[ID:nB1015367]. "Até agora, não havia ocorrido nenhum tipo de movimentação.O fato de haver movimentação agora é algo bom", afirmou oministro. Segundo autoridades norte-americanas, houve desapontamentoda parte dos EUA devido ao fato de Nath não ter respondido àoferta de corte nos subsídios dando sinais de disposição paradiminuir os impostos sobre os produtos manufaturados. Essamedida, argumentam as autoridades, ajudaria também os países emdesenvolvimento a ter maior acesso ao imenso mercado indiano. "Esperamos que Nath esteja apenas citando os antigos pontosde negociação. Se os mercados emergentes não contribuírem, nãoteremos uma verdadeira rodada de desenvolvimento", disseGretchen Hummel, porta-voz dos negociadores norte-americanos. Segundo Doha, os países em desenvolvimento deveriam sebeneficiar de uma retração dos subsídios e dos impostos deimportação que protegem os produtores nos EUA e na Europa. Mas as maiores economias emergentes do mundo, como a Índiae a China, estão sendo instadas a abrir seus mercados também emrelação a vários produtos, desde os agropecuários aosindustrializados. Sete nomes fundamentais da OMC -- EUA, União Européia,Japão, China, Índia, Brasil e Austrália -- reuniram-se naquarta-feira adotando um novo formato, com pequenos grupos denegociadores concentrando-se em questões específicas que aindaenfrentam um impasse. Os países ricos aguardam sinais de que as grandes economiasem desenvolvimento estão prontas para serem mais flexíveis arespeito dos bens industrializados. Se as negociações não entrarem em colapso, as partespoderiam continuar com o processo para além do prazo final desábado em meio a pressões vindas do chefe da OMC, Pascal Lamy,para que haja avanços. "Ele está usando uma tática de maratonista", afirmou AdolfoUrso, principal autoridade italiana do setor de comércio,referindo-se à paixão de Lamy pelas corridas de longadistância. "Mas nós não vamos nos cansar. Vamos ficar na cola dele. Oimportante é que, pela primeira vez, estamos negociando arespeito de produtos industrializados", afirmou Urso arepórteres. Sem avanços a respeito dos produtos agrícolas emanufaturados até agosto, a rodada corre o risco de ficarparalisada por alguns anos devido à eleição presidencial denovembro nos EUA, à mudança de poder nesse país em 2009 e aoutros fatores. (Reportagem adicional de Jonathan Lynn, Laura MacInnis eWilliam Schomberg)

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