Indianos tentam novo acordo na Equipav

Após anunciar compra do grupo em março, indiana Renuka pode desistir do negócio

Eduardo Magossi e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

A venda da fabricante de açúcar e álcool Equipav para o grupo indiano Shree Renuka Sugars, anunciada em março, corre risco de não sair. Segundo uma fonte próxima à negociação, os indianos devem definir na próxima semana se concluem a aquisição ou desistem definitivamente da aquisição. Um alto executivo da Renuka chega ao Brasil no início da semana para definir o destino do negócio.

Em março, a Renuka anunciou que estava adquirindo 51% das duas usinas da Equipav por R$ 329 milhões. No momento do acordo inicial, em fevereiro, a Shree Renuka adiantou cerca de R$ 50 milhões, por meio de contrato de venda antecipada de açúcar. Esses recursos seriam utilizados para amortizar dívidas da Equipav.

Porém, segundo fontes, esse pagamento das dívidas não teria sido feito de acordo com o combinado com a indiana. Além disso, a queda dos preços do açúcar em cerca de 50% desde fevereiro fez com que a Shree Renuka recuasse de seu acordo inicial, retirando-se do negócio. Porém, o grupo decidiu voltar com uma nova proposta, juntamente com outras empresas.

De acordo com fontes do mercado, caso a Shree Renuka não feche a compra, a Equipav deve ter dificuldades em encontrar um outro comprador, embora tenham surgido outros interessados na companhia. Isso porque a dívida da empresa se encontra em torno de R$ 700 milhões, dos quais R$ 84 milhões são apenas com fornecedores de cana-de-açúcar. Depois de ter vários acordos de pagamentos rompidos, esses credores tentarão uma última reunião na próxima terça-feira com os acionistas da Equipav.

Caso um acordo entre Equipav e fornecedores de cana não seja obtido, esses produtores podem entrar na Justiça para reaver os pagamentos referentes ao fornecimento de cana das últimas duas safras. Eles também ameaçam deixar de fornecer cana para as usinas da Equipav.

Além disso, comentários dão conta que esses interessados nos ativos do Grupo Equipav temem que a unidade Biopav, inaugurada em 2008 em Brejo Alegre (SP), pode ter problemas no futuro com o fornecimento de cana. Com capacidade de atingir um processamento de até 8 milhões de toneladas por safra, a planta correria o risco de não obter cana para suprir sua necessidade, pela ausência de fornecedores. Outro motivo que pode causar menor abastecimento de cana é de que muitos produtores de cana da região, cansados de esperar por uma solução para o endividamento, estão trocando a cana por soja, que vem registrando preços melhores.

Fonte da Equipav, que preferiu não se identificar, disse considerar difícil uma definição para a situação da negociação com a Renuka até a próxima semana, mas disse que as negociações seguem. "A Renuka nunca saiu das conversas", garantiu.

Indianos. A Shree Renuka Sugars possui oito usinas de açúcar e três destilarias de álcool na Índia, onde atua desde 1999. A empresa também gera energia a partir da biomassa, com capacidade de 173 MW na Índia.

O grupo já atua no Brasil. A empresa detém 100% do controle de duas usinas compradas do grupo paranaense Vale do Ivaí. A compra da participação na Equipav colocaria a Shree Renuka entre os cinco principais grupos atuantes no Brasil.

PARA LEMBRAR

Investimentos elevaram dívidas do grupo

O Grupo Equipav possui duas usinas no interior de São Paulo: a Equipav, em Promissão, e a Biopav, em Brejo Alegre. Juntas, têm capacidade de processamento de 10,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano. Possuem alta tecnologia para produção de açúcar e etanol e também alta eficiência na cogeração de energia por meio da queima do bagaço.

Porém, investimentos pesados feitos para ampliar a unidade Equipav e para a construção da moderna Biopav - que foi inaugurada em 2008 -, em um período de preços baixos tanto de açúcar como etanol, levaram o grupo a elevar seu endividamento. Com a eclosão da crise financeira internacional e o desaparecimento do crédito barato, o grupo ficou impossibilitado de continuar seu projeto, deixando muitos fornecedores inadimplentes pelo caminho.

A dívida chegou a atingir cerca de R$ 1,5 bilhão, forçando as famílias controladoras - Toledo, Tarallo e Vertorazzo - a vender as usinas.

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