Indicação de Moore divide países-membros da OMC

No final da tarde desta sexta-feira, funcionários da Organização Mundial do Comércio (OMC) já registravam, no painel eletrônico na entrada da entidade, a data, horário e sala da primeira reunião do comitê negociador da rodada de Doha, marcada para ocorrer na segunda-feira.A poucos quilômetros da sede da OMC, porém, uma reunião presidida pelo Brasil e com a participação de pouco mais de 20 governos deixava claro que as diferenças sobre a rodada ainda existem e que a promessa exibida no painel da OMC corria o risco de não se concretizar.O principal obstáculo é sobre quem comandará as negociações, lançadas em novembro no Catar. Países como os Estados Unidos e as economias desenvolvidas defendem que o diretor da OMC, Mike Moore, assuma o posto. Mas alguns países em desenvolvimento, como Paquistão e os governos africanos, acreditam que Moore adota uma posição que favorece os países ricos, o que não seria desejável.Na avaliação desses países, a liderança das negociações deveria ficar nas mãos de um governo eleito por todos os 143 países-membros da OMC.Coincidência ou não, esse grupo de países foi o mesmo que, durante todo o ano passado, se opôs ao lançamento de uma nova rodada. Sem um acordo sobre quem comandará as negociações nos próximos três anos, a reunião de segunda-feira está ameaçada.Mas o subsecretário-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima, é otimista. Ele disse que uma saída para o impasse começou a se desenhada nesta sexta-feira.A solução seria o estabelecimento de regras para a atuação do comandante das negociações, seja ele o diretor da OMC, seja um governo eleito. Com isso, a esperança é de que os países que se opõem a Moore aceitem sua indicação para o cargo, já que ele teria uma atuação limitada por regras.

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