Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Indicação de Rabello de Castro para IBGE é criticada

Economista vai substituir Wasmália Bivar, que se diz surpresa com destituição; sindicato avalia decretar greve

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2016 | 08h58

RIO - O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (ASSIBGE-SN) divulgou ontem uma nota de repúdio à escolha do economista Paulo Rabello de Castro para ocupar a presidência do órgão. Ele substituirá a atual presidente Wasmália Bivar, que disse ter sido surpreendida pelo anúncio de sua destituição do cargo.

Desde que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República, em 2003, o IBGE teve apenas funcionários de carreira na liderança do órgão. Wasmália, que assumiu em 2011, foi antecedida por Eduardo Pereira Nunes, que esteve à frente do IBGE de 2003 a 2011. Antes deles, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o instituto foi presidido por Sérgio Besserman Vianna e Simon Schwartzman.

Rabello de Castro é fundador da classificadora de riscos SR Rating, além da consultoria RC Consultores, empresa de previsão econômica e análises de mercado. Ele integra o Comitê de Gestão do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e coordena o Movimento Brasil Eficiente, que defende a simplificação da carga tributária e mais eficiência dos gastos públicos. “Consideramos um retrocesso a indicação de uma pessoa de fora dos quadros da instituição para ocupar sua presidência”, declarou o sindicato.

O ASSIBGE-SN criticou as ligações de Rabello de Castro com o mercado financeiro. Os servidores se reúnem em assembleias hoje, mas as discussões nos 32 núcleos do IBGE pelo País se prolongarão durante a próxima semana. “A greve não está descartada, mas não está definida a priori, vai depender das assembleias”, disse Dione de Oliveira, integrante da executiva nacional do sindicato.

Ainda não há previsão para a posse do economista, mas uma reunião de transição com a atual presidente foi marcada para dia 10. “Quando fui desligada (da presidência), não estava esperando mais. Eu já havia sido confirmada no cargo”, contou Wasmália a jornalistas. “Fiquei sabendo pela imprensa. Depois, Paulo Rabello de Castro (futuro presidente do IBGE) me ligou, e só mais tarde o ministro interino Dyogo Oliveira (do Planejamento, ao qual o IBGE é subordinado)”, relatou.

Rabello de Castro é próximo ao presidente em exercício, Michel Temer. Na avaliação de Wasmália, essa proximidade entre Temer pode ajudar o IBGE, uma vez que o órgão atravessa dificuldades financeiras que já provocaram o cancelamento de pesquisas, como o Censo Agropecuário.

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