Indicações reabrem discussão sobre saída de Cantidiano da CVM

A indicação pelo PT ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, de dois funcionários da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para compor a diretoria do órgão, deve reabrir a discussão em torno da saída do atual presidente da autarquia, Luiz Leonardo Cantidiano. Na época de sua posse, o advogado, hoje xerife do mercado de capitais brasileiro, deixou claro que sua permanência na CVM iria depender do grau de independência que teria para escolher sua equipe. Segundo uma fonte que acompanha as negociações, o PT teria indicado o economista Bruno Saturnino Braga, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Saturnino Braga, hoje no PT; e Miguel Bahuri, ligado a Jorge Bittar, do PT do Rio. O colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, sem citar o nome dos possíveis indicados, afirma hoje que Cantidiano já estaria deixando a presidência da CVM.Brigas políticasDesde o final do ano passado, Cantidiano vem tentando sem sucesso indicar nomes para a CVM. Hoje, existe oficialmente apenas uma vaga aberta em função da saída do advogado Marcelo Trindade, em abril de 2002. Mas, o também advogado Luiz Sampaio Campos, já manifestou várias vezes para amigos a intenção de deixar a diretoria da CVM e voltar à iniciativa privada.Atualmente, apenas os diretores Wladimir Castelo Branco e Norma Parente já foram indicados, sabatinados no Senado e têm mandatos fixos, como determina a nova Lei das S/As, que entrou em vigor em março de 2002. Segundo fontes que acompanham as negociações, Cantidiano já estaria cansado dessa briga política que se tornou a escolha de cargos no órgão, após a entrada do novo governo, e estaria disposto a deixar a CVM antes de completar seu mandato. Cantidiano é o primeiro presidente da comissão a ter mandato fixo, com base na nova Lei da S/As. As mudanças no regulamento relativas à CVM têm como objetivo evitar exatamente esse tipo de pressão política - que forçava a saída de dirigentes da autarquia a cada mudança do governo. Fontes revelam que Cantidiano não esconde mais seu descontentamento com o atual quadro sucessório na CVM e estaria pressionando o ministro Palocci a tomar uma posição oficial sobre a questão.

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