André Dusek/Estadão
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Senado aprova indicação de Ilan Goldfajn à presidência do Banco Central

Decisão foi tomada por 56 votos a 13; em sabatina, economista destacou que seu objetivo será cumprir plenamente o centro da meta de inflação (de 4,5%) e respeitar o regime de câmbio flutuante

O Estado de S.Paulo

07 Junho 2016 | 14h06
Atualizado 07 Junho 2016 | 19h32

BRASÍLIA - O Plenário do Senado Federal aprovou nessa terça-feira, 7, a indicação do economista Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Central. A indicação foi feita pelo presidente em exercício Michel Temer. Ilan ocupará o cargo de Alexandre Tombini. A indicação contou com o apoio de 56 senadores e apenas 13 votaram contrariamente, mais um vez reforçando a expressão da base de Temer no Senado. 

Apesar da aprovação da indicação, Goldfajn não deve participar da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que se iniciou nessa terça e vai até quarta. Conforme apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o governo não deve correr com a posse de Ilan. A reunião do Copom define a taxa básica de juros da economia brasileira.

Apesar de o governo Temer possuir maioria no Senado, a discussão sobre a indicação de Ilan foi acirrada. Os senadores da oposição pediram a palavra diversas vezes para questionar a troca da presidência do BC durante um governo interino e possível conflito de interesses, já que Goldfajn é sócio do Itaú Unibanco.

Em nome do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ) recomendou voto contrário. O discurso mais ferrenho contra a indicação de Goldfajn, entretanto, veio de um peemedebista, o senador Roberto Requião (PMDB-PR). "Gostaria de saber como se vota a indicação de Ilan, se tenho que votar no sistema do Senado ou se será pelo site do Banco Itaú", ironizou Requião. Ele afirmou que o Senado estava aprovando a indicação de um "banqueiro para cuidar da economia do País".

"Esse é mais um erro brutal do meu colega Michel Temer, no início de um governo que, dessa forma, será muito curto", afirmou Requião. O senador disse ainda que é uma "irresponsabilidade" indicar um novo presidente para o BC em um governo interino, "sem a certeza de que o impeachment irá prosseguir".

Senadores da base de Temer argumentaram que presidentes anteriores do BC e membros da equipe econômica também possuíam ligações com bancos privados e o mercado financeiro. Os senadores relembraram que Henrique Meirelles, que presidiu o BC durante o governo Lula, foi presidente do BankBoston no Brasil e que o ex-ministro da Fazenda de Dilma, Joaquim Levy, foi diretor superintendente do Bradesco.

Goldfajn é economista, com mestrado pela PUC e doutorado pelo MIT. Ele foi diretor de política econômica do BC entre 2000 e 2003. 

Inflação. Mais cedo, durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Ilan afirmou que o objetivo da autoridade monetária será o de cumprir plenamente a meta de inflação, "mirando o seu ponto central" (atualmente de 4,5%), destacando que a manutenção de nível baixo e estável de inflação é condição essencial para o crescimento sustentável. O economista disse ainda que haverá "respeito ao regime de câmbio flutuante", caso assuma o BC, e também defendeu a reconstituição do tripé macroeconômico.

A fala ajudou o dólar a cair em relação ao real, com alguns operadores entendendo que Ilan teria indicado ser favorável a menos intervenções no mercado de câmbio.

Segundo o ex-economista chefe do banco Itaú, o cenário atual é desafiador, com níveis de instabilidade política e econômica superiores à média histórica. Mas considerou que as medidas recém-anunciadas pelo governo interino de Michel Temer estão na direção correta.

Ilan afastou a ideia de que o país vive período de estagflação e ressaltou que o País atravessa umas das piores recessões de sua história.

Durante a sabatina, ele disse que é preciso criar condições para a queda dos juros básicos da economia e que as reformas são um pilar para tanto. 

Pouco antes de deixar o banco Itaú por causa da sua indicação ao BC, Ilan via espaço para corte na Selic no segundo semestre, a partir de julho, diante da contínua melhora no balanço de riscos para a inflação.

Volta ao crescimento. Aos senadores, Ilan disse acreditar que a volta do crescimento econômico no fim deste ano ou no início de 2017 é factível, mas condicionada a medidas concretas, como a aprovação das reformas pelo Congresso Nacional.

Ele disse que a criação de um teto para as despesas públicas, proposta anunciada pelo governo mas ainda não encaminhada ao Legislativo, é fundamental. "Nós precisamos dar ordem à dinâmica da dívida", disse.

Ilan defendeu a autonomia técnica e operacional do BC, ao invés de independência, para que tenha "liberdade de usar os instrumentos para perseguir os objetivos do governo". Ele destacou ainda que uma diretoria composta por funcionários de carreira e do setor privado é a "combinação ideal".

(Isabela Bonfim, Agência Estado e Reuters)

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