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Indicado dos EUA é eleito novo presidente do Banco Mundial

A candidatura de Kim foi desafiada pela ministra das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, apoiada pelo Brasil, e pelo ex-ministro colombiano das Finanças, Jose Antonio Ocampo

Agência Estado,

16 de abril de 2012 | 13h18

WASHINGTON - A direção do Banco Mundial (Bird)  escolheu Jim Yong Kim, indicado pelos Estados Unidos, para presidir a entidade a partir de 1º de julho, em sucessão ao norte-americano Robert Zoellick. 

Apesar de os EUA terem mantido sob seu controle um cargo exercido por indicações norte-americanas há sete décadas, esta foi a primeira vez que outros países apresentaram candidatos para desafiar a hegemonia de Washington no Banco Mundial.

A candidatura de Kim foi desafiada pela ministra das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, e pelo ex-ministro colombiano das Finanças, Jose Antonio Ocampo.

O fato de Kim ser médico de carreira alimentou críticas de especialistas em desenvolvimento e de potências emergentes como o Brasil, para os quais a nigeriana seria a pessoa mais qualificada para ocupar o cargo.

Pouco depois da confirmação de Kim como próximo presidente do Banco Mundial, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, elogiou a decisão e defendeu que a entidade será beneficiada pela "nova perspectiva e pela forte liderança" do escolhido.

Nascido na Coreia do Sul e criado no Estado norte-americano de Iowa, Kim tem 52 anos, atua como reitor de Dartmouth desde 2009, é médico de formação e uma figura proeminente nas questões de saúde global e de desenvolvimento. A indicação de Kim pela Casa Branca surpreendeu pelo fato de, normalmente, os indicados terem experiência política ou financeira. 

Candidata emergente

O Brasil, que só se manifestou hoje, apoiou a candidatura da nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala para a presidência do Banco Mundial. O apoio foi anunciado nesta segunda-feira, 16, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "A escolha privilegia a capacidade da candidata após análise de curriculum e uma conversa. Ela me pareceu mais habilitada para exercer o cargo da presidência porque tem mais experiência, tem experiência com países pobres", disse Mantega.

O ministro lembrou que o grande objetivo da instituição é o de "atacar a pobreza". "Ao longo dos últimos anos, o Banco Mundial foi dirigido por pessoas indicadas por países ricos e não houve progressos na melhoria da situação dos países pobres", disse. Para Mantega, o Banco Mundial precisa "ser mais forte, ter mais recursos para enfrentar os problemas da pobreza com mais energia".

Sobre o candidato apoiado pelos Estados Unidos, o ministro brasileiro disse que "não sentiu comprometimento firme do candidato dos EUA em levar adiante as reformas de vozes e votos do Banco Mundial". "Não houve comprometimento nesse sentido". O ministro repetiu o pedido de que países emergentes querem maior participação na instituição. "Maior participação também dentro do staff do Banco Mundial, na diretoria, nas vice-presidências.

Escolha

Mantega admitiu que a escolha do Brasil pela candidatura da ministra das Finanças da Nigéria para a presidência do Banco Mundial não foi decidida em conjunto com o Brics, grupo do qual também fazem parte Rússia, Índia, China e África do Sul.

"Não teve consenso, cada um irá decidir de acordo com sua avaliação. Mas Brics continuam unidos na tese de que Banco Mundial deve levar adiante as reformas. Seja quem for o vencedor da disputa, vamos cobrar avanços em reformas, ou não haverá participação dos emergentes no organismo", completou.

Segundo o ministro, ou os países agem individualmente para combater a pobreza - como o Brasil tem feito em algumas localidades da África -, ou então atuam todos em conjunto por meio do Banco Mundial. "Desde que o Bird crie condições para isso. Senão, não vamos atuar junto com o Banco", acrescentou.

Essa maior participação dos emergentes se daria nas escolhas de onde se fazer os investimentos, o destino dos empréstimos e as condições. Segundo ele, os Brics irão mostrar sua insatisfação a partir da próxima quinta-feira, em Washington, nas reuniões do G-20, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do próprio Bird.

O ministro cobrou da presidente do FMI, Christine Lagarde, o cumprimento de suas promessas sobre a manutenção da agenda de reformas do fundo, que foi a principal razão do apoio brasileiro e dos emergentes à sua candidatura. "Também declaramos que daríamos crédito adicional ao FMI caso os europeus viessem a cumprir aquilo que combinaram, ou seja, aumentar a segurança do continente em relação à crise. Os países fizeram seu trabalho até certo ponto, mas podem ir além", completou.

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