Indicador de emprego da FGV reforça sinais de ambiente melhor

“Aquela sensação de que o Brasil era um trem desgovernado passou”, disse ao Estado o ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga

O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2017 | 03h00

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aumentou 5,6 pontos entre dezembro e janeiro, atingiu 95,6 pontos (melhor marca desde maio de 2010) e reforçou a percepção de que a economia brasileira caminha para a recuperação. Dada a relevância do emprego, o IAEmp reforça as análises de economistas conhecidos de que o País começa a voltar aos trilhos.

“Aquela sensação de que o Brasil era um trem desgovernado passou”, disse ao Estado o ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga. Outro ex-presidente do BC, Affonso Pastore, notou que “nos aproximamos do final da recessão longa e profunda iniciada em 2014” e que volta a haver coordenação entre as políticas fiscal e monetária.

Dados recentes já sugeriam que o ritmo de queda do emprego perde intensidade, o que fica claro no IAEmp, que atingiu o nível mais baixo dos últimos anos no segundo semestre de 2015 e depois registrou melhora quase ininterrupta. 

Como notou o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, da FGV, os resultados do indicador de janeiro “foram puxados por um retorno do otimismo da indústria quanto ao futuro”. 

Esses resultados estão relacionados “ao ciclo de redução da taxa de juros iniciado no ano passado e que ganhou força neste início de ano, devendo contribuir para aceleração cíclica da economia mais adiante, ao longo do ano”.

Os analistas estão reticentes quanto a prever datas para a melhora econômica, provavelmente entre o segundo e o terceiro trimestres, e para a recuperação do emprego, que ocorre só depois da melhora da atividade. O IAEmp mensura as expectativas dos negócios para os próximos seis meses e o ímpeto de contratações nos próximos três meses.

Por ora, outro índice da FGV – o Indicador Coincidente de Desemprego – ainda retrata a dificuldade de conseguir emprego, principalmente no grupo de trabalhadores que ganham entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil mensais. 

Os indicadores de emprego e desemprego da FGV têm como base de dados as sondagens da Indústria, dos Serviços e do Consumidor da entidade. Captam a percepção dos entrevistados sobre a situação presente do mercado de trabalho. O que se destaca é que essa percepção volta a ser positiva. 

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