Indicador do BC confirma perda de fôlego da economia

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h04

O recuo da atividade econômica em dezembro, medido pelo IBC-Br, do Banco Central, já era mais do que esperado. O comportamento da indústria e do comércio varejista, no último mês de 2013 - a primeira com recuo forte e o outro com queda no ritmo de crescimento -, já tinha deixado claro que a economia vinha perdendo ritmo no fim do ano.

Na métrica do IBC-Br, índice que procura captar a temperatura econômica mês a mês, o crescimento em 2013 chegou a 2,5% - acima do 1% de 2012. Feitos os ajustes sazonais, comparados com o terceiro trimestre, houve novo recuo da atividade no último terço do ano, No trimestre anterior, o IBC-Br já havia encolhido 0,64%, ante o período de abril a junho.

Fechado o ano, o que se constata é que a economia apresentou, em 2013, duas metades diferentes. No primeiro semestre, a atividade econômica evoluiu positivamente. Mas perdeu fôlego, no segundo semestre, a ponto de o IBC-Br dos dois últimos trimestres do ano registrar encolhimento sobre os trimestres anteriores.

Essa situação abriu espaço para a discussão do ingresso ou não da economia brasileira numa fase de recessão. Segundo linhas de pensamento econômico, dois trimestres seguidos de redução do ritmo de crescimento define o estado de recessão numa economia. É preciso, porém, esperar a divulgação da evolução do PIB do quarto trimestre de 2013, prevista para 27 de fevereiro.

O IBC-Br, ainda que indique direções e tendências, não capta a gama de eventos, inclusive os efetivamente ocorridos, abarcados pelo cálculo do PIB. Conhecido como a "prévia do PIB", não é exatamente uma prévia, nem tem essa pretensão. Os indicadores antecedentes usados para apurar o IBC-Br não são, na totalidade, os mesmos considerados pelo IBGE, que leva em conta, na maior parte, a evolução de fatos efetivamente verificados, em base trimestral, enquanto a base do indicador do BC é mensal.

À luz das indicações não só do IBC-Br, mas de outros indicadores de comportamento econômico, analistas estimam que o PIB do quarto trimestre avançou entre 0,3% e 0,5% sobre o terceiro. Assim, o PIB de 2013 teria fechado com alta entre 2,1% e 2,3%.

Há indicações de que a atividade no mês passado apresentou alguma recuperação e devolveu parte das perdas de dezembro, De todo modo, a economia entrou mais frouxa no novo ano e esse fato já provoca revisões para baixo nas projeções para 2014. Previsões de expansão abaixo de 1,5% começam a se disseminar.

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