Indicador sinaliza estagnação com viés de baixa

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2015 | 02h05

O índice de atividade econômica, calculado pelo Banco Central, fechou 2014 com uma retração, ajustada sazonalmente, de 0,12% sobre 2013. Depois desse resultado, os analistas estão projetando um recuo de até 0,2% na variação do PIB, em 2014.

Mesmo com números medíocres, isso não é suficiente para configurar uma recessão - um estado de recessão não é definido apenas por uma contração do PIB e muito menos em um caso em que o recuo se mede em décimos de porcentagem. Mas reforça e evidencia com clareza o ambiente de estagnação em que se encontra a economia brasileira.

Tomando como base o ano de 2010, último ano do segundo mandato de Lula, quando a economia cresceu 7,5% e alcançou um pico da variação do PIB em mais de duas décadas, os quatro anos do primeiro governo Dilma, em relação crescimento econômico, rodam um filme em que a atividade econômica desce a ladeira rumo ao zero. No período como um todo, em relação ao PIB de 2010, a economia avançou apenas 6,3% - média de 1,5% ao ano.

Mais preocupante do que a tendência à estagnação é a tendência ao aprofundamento da retração. As projeções mais atualizadas para 2015 sinalizam contração mais forte do PIB, de 0,5% a 2%, dependendo não só dos efeitos das crises de água e energia, mas também dos impactos do escândalo de corrupção na Petrobrás não só sobre o restante da cadeia de óleo e gás, mas também da paralisação das grandes empreiteiras, na produção geral e nos investimentos.

Nota mais negativa no IBC-Br de dezembro, que deve ser confirmada pela divulgação da variação do PIB no último trimestre de 2014, em fins de março, foi o recuo da atividade em dezembro. Em relação a novembro, o indicador do Banco Central registrou uma contração de 0,55% e um avanço mínimo de 0,2%, no último trimestre. O ano de 2014 muito fraco, com aceleração de perda do ritmo no fim do ano, traz para 2015 um carregamento estatístico negativo. A herança adversa deixa contratado alguns décimos de porcentagem a menos para uma economia que já promete encolher com mais força neste ano.

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