Indicadores educacionais são mais favoráveis para mulheres

Proporção de mulheres entre 15 e 17 anos que cursam o ensino médio avançou para 52,2%, contra 42,4% dos homens

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2014 | 10h00

A defasagem escolar caiu mais entre as mulheres do que entre os homens nos últimos 20 anos. Em 1991, apenas 18,2% das adolescentes de 15 a 17 anos cursavam o ensino médio. Em 2010, essa proporção chegou a 52,2%. Entre os rapazes, o desequilíbrio entre idade e série também caiu, mas não tanto - passou de 13,2% em 1991 para 42,4% em 2010. 

"O atraso escolar , que atinge mais fortemente os homens, pode estar relacionado aos diferentes papéis de gênero que antecipam sua entrada no mercado de trabalho. Apesar de a maioria dos homens e mulheres de 15 a 17 anos de idade estar apenas estudando, conciliar escola e trabalho ou apenas trabalhar é mais frequente entre os jovens", aponta o estudo. 

As mulheres também são maioria no ensino superior - 15,1% das jovens de 18 a 24 anos cursam faculdade; entre os homens, o índice é de 11,3%. A disparidade é maior no Sul e no Centro-Oeste, de cinco pontos porcentuais entre homens e mulheres. "Como resultado dessa trajetória escolar desigual entre homens e mulheres, o nível educacional das mulheres é maior do que o dos homens", escreveram os pesquisadores do IBGE. Elas completaram o ensino superior em maior proporção do que os homens - 12,5% ante 9,9%, daqueles com mais de 25 anos.  

Também há menos analfabetas (9,1% das mulheres com 15 anos ou mais) do que analfabetos (9,8% dos homens com 15 anos ou mais) em todas as faixas etárias, exceto na parcela da população com 60 anos ou mais. A queda do analfabetismo entre as mulheres foi mais rápida nas áreas urbanas - passou de 10,3% para 7,3%, entre 2000 e 2010, uma redução de 28,6%. Na zona rural, a redução foi de 21,3%. Saiu de 27% para 21,1%.

Maternidade precoce. O estudo aponta ainda que há proporção maior de mulheres de 15 a 17 anos que não trabalham nem estudam (12,6%), se comparada à dos homens (9,1%). Essa situação está "fortemente relacionada à maternidade", apontam os pesquisadores - 56,8% das jovens nessa faixa etária que tiveram filhos estão nessa condição; entre as que não foram mães, o índice era de 9,3%. 

"No mercado de trabalho e renda você encontra uma situação mais desfavorável para as mulheres em relação aos homens. Mas você não vê isso na educação. Elas estão se escolarizando mais, têm maioria entre os universitários, têm menor atraso escolar em relação aos homens. Mas, por motivos que a gente acredita que vão além de políticas educacionais e políticas inclusivas no mercado de trabalho, não se vê a maior escolarização das mulheres sendo refletida no mercado de trabalho", afirma Bárbara Cobo, coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE.  

Ela aponta a maternidade como uma das causas. "A mulher ainda enfrenta a dupla jornada de trabalha. Os cuidados com pessoas da família, com afazeres domésticos estão substancialmente a cargo das mulheres. Ela tem que conciliar cuidados e afazeres com o trabalho. Elas são maioria nas universidades, mas com uma concentração delas em áreas que auferem menores rendimento no mercado de trabalho, como educação", ressalta.

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