Indicadores industriais da CNI registram piora

Capacidade instalada do setor, faturamento e horas trabalhadas recuaram em julho sobre mês anterior

LAÍS ALEGRETTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2013 | 02h11

A atividade da indústria brasileira começou o segundo semestre em queda, depois de oscilar nos seis primeiros meses do ano. A utilização da capacidade instalada da indústria foi de 82,2% em julho, o que representa um pequeno recuo diante do resultado de 82,3% no mês anterior, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Apesar da piora, a entidade avalia que, ao fim do ano, o setor industria vai contribuir positivamente com o Produto Interno Bruto (PIB), depois da queda em 2012. Apesar de o faturamento ter recuado 1,5% em relação a junho e as horas trabalhadas, 1,7%.

Mais vendas. No acumulado do ano até julho, a variável que mais cresceu foi o faturamento da indústria: 5,2% em relação ao mesmo período de 2012.

As horas trabalhadas subiram 0,2% e o emprego, 0,5%. Entre os 21 setores industriais pesquisados pela Confederação, 17 apresentaram aumento do faturamento no período.

O gerente executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, avalia que a oscilação nos resultados da atividade do setor continuará nos próximos meses, inclusive com resultado positivo em agosto.

Mesmo com diminuição da atividade em alguns meses, ele aponta que o resultado do setor será "bem melhor" neste ano.

"Não é um bom desempenho no sentido de superar as expectativas, mas será bem melhor do que foi no ano passado", disse. Ele afirmou, ainda, que será "difícil" repetir o ocorrido em 2012 "porque foi um ano ruim para o setor industrial". No ano passado, a indústria contribuiu negativamente em 0,8% para a formação do PIB.

Estímulo. Questionado sobre o fato de setores que foram beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos terem apresentado recuo no emprego, segundo dados do IBGE divulgados ontem, Castelo Branco disse que é precipitado afirmar que a medida não teve impacto. "Um dado negativo não quer dizer que não houve efeito da desoneração. Na ausência dos estímulos, poderia ser mais intensa."

Ele afirmou que não há correspondência direta entre a classificação dos setores nos indicadores de produção e a lista de áreas desoneradas, que seguem nomenclatura do comércio exterior. Isso, segundo ele, dificulta a análise.

Para ele, a economia vem perdendo competitividade e a produtividade está estagnada. "A mudança não será imediata. Essas medidas de diminuição de custos, como a desoneração de folha e a redução do custo de energia, tendem a ter seus efeitos diluídos no tempo."

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