Indicadores industriais em abril refletem estímulos, diz CNI

Políticas do governo, como a desoneração da folha de salários e a redução do custo de energia, estariam dando efeito

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

11 de junho de 2013 | 17h51

SÃO PAULO - O economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, acredita que a melhora dos indicadores industriais em abril reflete os resultados da política de estímulos do governo, como a desoneração da folha de salários e a redução do custo de energia.

Nesta terça-feira, 11, a CNI anunciou que o nível de utilização da capacidade instalada ficou em 83,3% em abril, o maior nível desde junho de 2011. Em março, o patamar estava em 82,6% e, em abril de 2012, em 81,8%. O resultado de abril superou o teto das projeções dos analistas consultados pelo AE Projeções, de 83,20%.

Castelo Branco destacou que os dados ainda não traduzem o início, também em abril, do aperto da política monetária, o que pode reduzir novos investimentos, já que alta dos juros deve inibir a demanda das famílias. "Então podemos ter um segundo semestre de recuperação, mas mais moderada, por conta da política monetária mais austera a partir de abril", afirmou.

Castelo Branco disse que, por outro lado, a mudança no patamar de câmbio traz mais competitividade aos produtos brasileiros, embora ponha mais rigidez no combate à inflação. "Precisamos ver como isso afetará a demanda e a expectativa dos empresários. Isso vai refletir mais no segundo semestre", previu.

Sobre o possível anúncio na quarta-feira, 12, de um programa de estímulo à compra de eletrodomésticos para os mutuários do Programa Minha Casa, Minha Vida, Castelo Branco disse que medidas como esta têm impactos positivos na demanda, mas têm sido frustrantes para sustentar o setor industrial como um todo. "Precisamos ser mais ambiciosos em medidas com maior amplitude sobre o custo do setor industrial", defendeu.

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