Indicadores mostram perda de fôlego da inadimplência

Dados sobre cheques sem fundos, carnês e outras dívidas não pagas mostram arrefecimento a partir do 2º semestre

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h06

A inadimplência do consumidor dá os primeiros sinais de arrefecimento, apontam os últimos indicadores de calote, apurados por diferentes empresas especializadas em monitorar a solvência do mercado de crédito. Do cheque ao carnê de loja e de financeira, os resultados revelam que, a partir de julho, o boom do calote ficou para trás e que há um tendência crescente de regularização das dívidas não pagas.

Em agosto, pela primeira vez neste ano, a inadimplência líquida apurada pela Associação Comercial de São Paulo(ACSP) ficou abaixo da registrada no mesmo mês de 2011. O saldo entre o número de carnês inadimplentes e renegociados, em relação às vendas a prazo de três meses anteriores, atingiu 6,5%. No mesmo mês de 2011, esse indicador estava em 6,6% e, em julho deste ano, em 6,9%.

Os resultados da primeira quinzena deste mês confirmam a tendência de desaceleração da inadimplência. Entre os dias 1.º e 15 deste mês, a quantidade de carnês inadimplentes aumentou 2,5% ante o mesmo período de 2011 e o volume renegociado cresceu 3,2% nas mesmas bases de comparação. Na primeira quinzena de agosto, o crescimento anual do calote havia sido de 2,6% e da renegociação, 2,8%.

A desaceleração do calote também se repete no cheque sem fundo. Três indicadores apurados por entidades diferentes apontam para a mesma direção. De cada 100 cheques compensados em agosto, 2,85 deles não tinham fundos em agosto, ante 2,91 em julho, aponta a Telecheque. A Serasa Experian obteve um resultado ainda menor: o índice do calote em julho estava em 2% e caiu para 1,97% no mês passado. A Boa Vista Serviços registrou em julho um índice de 1,96% de inadimplência no cheque, que recuou para 1,93% no mês passado.

Indicadores globais de solvência do consumidor, que reúnem em um só número informações sobre dívidas pendentes com bancos, varejo, títulos protestados e cheques reafirmam esse movimento. O Indicador Serasa Experian de inadimplência do consumidor, que tinha encerrado julho com um acréscimo de 10,5% em relação ao ano anterior, registrou alta de 7% no mês passado. No caso do indicador de inadimplência da Boa Vista Serviços, o resultado já foi para o terreno negativo. Em julho, o calote do consumidor tinha caído 4,7% ante o mesmo mês de 2010 e registrou retração de 1% no mês passado, nas mesmas bases de comparação.

"O boom da inadimplência já passou", afirma o economista da Boa Vista Serviços, Flávio Calife. Ele observa que a redução no ritmo de novas concessões e tomadas de empréstimos, somada ao recuo dos juros iniciado em agosto do ano passado e ao mercado de trabalho ainda vigoroso em ter mos de emprego e renda, são os pilares do recuo da inadimplência.

Carlos Henrique de Almeida, economista da Serasa Experian, faz uma análise semelhante à de Calife. No entanto, ele pondera que, apesar da regularização do calote, o consumidor continua muito endividado e cauteloso. Com isso, ele não acredita que a regularização dos débitos traga um grande impulso para o consumo. "O Natal de 2012 será melhor porque o de 2011 foi ruim."

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