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Indicadores são de melhora do PIB no 3º trimestre, diz Kawall

Apesar das previsões mais pessimistas dos analistas do mercado financeiro, o secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, disse nesta terça-feira que os indicadores econômicos recentes mostram a possibilidade de melhora do Produto Interno Bruto (PIB) a partir do terceiro trimestre. Por isso, o governo não trabalha com a expectativa de novos cortes nas despesas até o final do ano depois do anunciado anteontem de R$ 1,6 bilhão. "Continuamos otimistas. Os resultados da economia do terceiro trimestre sugerem uma melhora em relação ao segundo trimestre. Se forem necessários, novos ajustes (cortes) serão feitos. Mas, no momento, não é essa a expectativa com que trabalhamos", disse Kawall. A previsão de crescimento do PIB é importante para a política de gestão fiscal porque é com base nessa estimativa que o governo traça a trajetória de receitas de tributos que entrarão nos cofres públicos. No último relatório de avaliação bimestral da execução do Orçamento, encaminhado na última segunda-feira ao Congresso Nacional, o governo reviu de 4,5% para 4% a sua estimativa de crescimento do PIB para este ano. Mas o novo valor está muito distante da previsão média dos analistas do mercado de 3,09% de crescimento. Às vésperas das eleições, o secretário foi cauteloso e evitou comentar a possibilidade de a previsão de 4% não ser atingida, como aposta a maioria dos analistas. "Nós veremos mais à frente qual será a trajetória do PIB", disse. Ele preferiu responder às inúmeras perguntas sobre o grande risco dessa previsão não se confirmar com a afirmação de que se a trajetória do PIB não se comportar dentro do parâmetro previsto pelo governo, o governo fará o ajuste necessário. Segundo Kawall, o governo trabalha com uma margem de segurança e não aposta no "melhor mundo possível" ao definir os parâmetros que balizam a gestão da política fiscal. Para ele, a piora da percepção do mercado em relação à qualidade da política fiscal do governo está ligada aos resultados de curto prazo. "Ela (a percepção) varia em função dos resultados mensais", disse Kawall. O secretário discordou da avaliação de que em 2007 será um ano mais difícil para o cumprimento da meta fiscal. Segundo ele, o que importa do ponto de vista fiscal é o compromisso do governo com o cumprimento da meta. Na sua avaliação, essa realidade está hoje consolidada no País. "A alteração e o não cumprimento da meta nem são, inclusive, temas de debate eleitoral nesse momento. É uma prova de que a responsabilidade fiscal é um valor que a sociedade preza".Nessa mesma linha de raciocínio, o secretário disse que as oscilações do mercado nos últimos dias e a elevação do risco País do Brasil refletem o humor do mercado, que oscila ao sabor de novos indicadores. Para o secretário, o novo nervosismo do mercado por conta do dossiê eleitoral "é mais um episódio que comprova que os nossos fundamentos melhoraram muito e que sugerem que o Brasil está muito mais robustecido para enfrentar a volatilidade mesmo em um período pré-eleitoral". Matéria alterada às 20h31 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

26 de setembro de 2006 | 15h59

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