Índice de confiança cai ao nível de 2009

Com maior preocupação com a economia e com o mercado de trabalho, índice de confiança do consumidor caiu 3,3% em maio, segundo a FGV

IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h04

Diante da percepção de piora na economia e sem perspectiva de recuperação nos próximos meses, a confiança do consumidor caiu 3,3% em maio em relação a abril, segundo indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV). A preocupação é com o aumento do endividamento e da inflação e o encarecimento do crédito. Além disso, as famílias se mostram cada vez menos otimistas em relação ao mercado de trabalho.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu para 102,8 pontos e atingiu o menor nível desde abril de 2009, quando estava em 99,7 pontos. Além disso, a queda foi a mais intensa desde agosto de 2011 (-5% em relação ao mês anterior).

"Os quesitos estão retornando ao nível que estavam logo após a crise. A diferença é que, naquela época, houve retomada rápida pelo consumo. Agora, não só os consumidores, mas os empresários também não têm expectativas positivas", disse a economista Viviane Seda, coordenadora da sondagem.

O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 3,9% em maio, enquanto o Índice de Expectativa (IE) recuou 2,9%. A preocupação das famílias com sua situação financeira foi o que mais pesou na queda. "O resultado é realmente muito ruim. Ainda estava em um pessimismo moderado, mas aprofundou", disse Viviane.

As avaliações sobre a economia, que foram destaque nas divulgações dos últimos meses, passaram a ter um papel menor. Mesmo assim, continuaram deteriorando. Para 30,9% dos consumidores, a situação vai piorar no futuro, porcentual mais elevado desde dezembro de 2008.

O pessimismo ainda afetou a intenção de compra de bens duráveis, que cedeu 3,7%. Os mais prejudicados foram os eletrodomésticos, os computadores e os móveis. Apesar disso, os eletroeletrônicos ainda podem contar com o lucro trazido pelo aquecimento na venda de TVs em função da Copa do Mundo.

Emprego. As dificuldades enfrentadas pela indústria atingiram a confiança do consumidor em relação ao emprego em maio. Na cidade de São Paulo, a avaliação do emprego atual piorou 2,4%. "O pessimismo com o mercado de trabalho em São Paulo ocorre justamente por conta da indústria", disse Viviane.

Na média do Brasil, a perspectiva para o emprego caiu 1,2%. O Rio de Janeiro é a única cidade que fugiu à tendência e apresentou queda menos intensa, de 0,9%, devido à concentração maior de ocupados no setor de serviços. "Os serviços ainda estão em momento favorável em questão de emprego, pelo menos mais do que na indústria", disse Viviane.

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