Índice de fevereiro sobe, mas reforça trimestre retraído

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2015 | 02h04

A expansão do IBC-Br, em fevereiro, é um candidato forte a revisões posteriores, relativamente comuns nos resultados do índice de atividade econômica, calculado pelo Banco Central. A alta de 0,36%, em relação a janeiro, surpreendeu o mercado, que esperava retração na base de comparação mensal. A surpresa se prende ao fato de que, naquele mês, tanto a produção industrial quanto o comércio ampliado registraram recuo. O desempenho da agropecuária, em especial a cultura de soja, salvou a lavoura.

Detalhe: o BC ainda não atualizou o IBC-Br à nova metodologia de cálculo das variações do PIB. Assim, é preciso levar em conta as distorções que podem ocorrer nas comparações com a nova série das contas nacionais trimestrais.

A trajetória do comportamento da economia, no primeiro trimestre, foi francamente negativa. As médias trimestrais, os índices acumulados em 12 meses e os comparados com os resultados do ano anterior reforçam a convicção de que a atividade econômica continua em desaceleração.

Essa linha descendente, continuada em fevereiro, será reforçada em março. As indicações de fraqueza da atividade econômica, refletindo baixa confiança, altos estoques e piora no emprego, atingirão com mais força a indústria de transformação e o comércio varejista e jogarão a economia mais para baixo. Com base nesse cenário adverso, os analistas projetam para o primeiro trimestre de 2015 uma contração de pelo menos 0,5% sobre os três meses anteriores e de 1,5%, em relação ao primeiro trimestre de 2014.

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