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Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

Índice de governança ainda não atrai fundos

O Índice de Governança Corporativa (IGC) da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem conquistando a adesão de novas empresas e maior atenção dos administradores de recursos. Porém, a falta de conhecimento pelos investidores faz com que o indicador não desperte interesse suficiente para a formação de fundos. Recentemente, companhias de peso para o mercado, como Aracruz, Brasil Telecom e Sabesp, entraram para o índice. Ripasa, Coteminas e Banco do Brasil são outros proponentes relevantes. Formado com 15 empresas, em meados do ano passado, o indicador conta hoje com 23 companhias. Nele foram abrigadas as empresas que seguem padrões diferenciados de transparência e tratamento aos acionistas minoritários. O crescimento chama atenção, porém não basta. "Estamos atentos. Mas ainda não pensamos em fundos indexados ao IGC", contou Jorge Misumi, diretor de produtos do HSBC Brain Asset Management. "Falar para o público brasileiro de investimento em bolsa ainda é tratar de Índice Bovespa." A dificuldade seria mostrar que o IGC possui um critério melhor do que o mercado, afirmou Luiz Ribeiro, gestor de renda variável de ABN Amro Bank. Misumi lembrou que, apesar de o IGC estar crescendo, o universo de escolha de ações ainda é pequeno. "O importante é não sacrificar a rentabilidade por conta de um critério", completou Ribeiro. Mesmo com um índice de parâmetro, é trabalho do administrador selecionar os ativos com maior potencial. O gestor de renda variável do Safra, Valmir Celestino, apontou outro fator que tira a atratividade do IGC: a insegurança com a modificação constante do indicador. Novas empresas entram na carteira do índice quando decidem aderir às regras de transparência da Bovespa. Nem mesmo a diferença de valorização entre o IGC e o Ibovespa atrai os administradores. Enquanto o IGC acumula um ganho de 1,9% neste ano, o Ibovespa mostra perda de 11,6%. A administradora de renda variável da Citigroup Asset Management, Noriko Yokota, explica que essa variação entre os desempenhos está no fato de o IGC, até bem pouco tempo, não possuir ações de empresas de telecomunicações. "O setor andou muito mal e prejudicou o Ibovespa, que tem maioria da composição nesse segmento." Noriko lembrou de uma queixa antiga que ainda incomoda: a elevada concentração em bancos na carteira do indicador. O porcentual desse segmento caiu recentemente, mas chega a 52% do total. Quando a carteira foi constituída, essa fatia superava 80%.

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