Índice de inflação do Dieese registra desaceleração em SP

O Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), apurou desaceleração da inflação na cidade de São Paulo em maio na comparação com abril. O índice caiu de 1,39% em abril para 0,24% em maio. Segundo o Dieese, o recuo da inflação foi provocada por um ritmo quase que generalizado de aumentos menores nos preços praticados no varejo. Com exceção de Vestuário (2,04%) e Despesas Diversas (12,50%), os demais grupos apresentaram altas menores ou queda. O grupo Alimentação encerrou o mês de maio com alta de 0,42%, indicando uma desaceleração de 1,34 ponto porcentual na comparação com abril (1,76%). O comportamento dos alimentos foi determinado basicamente pelos produtos in natura e semi-elaborados, que tiveram uma deflação de 0,80% em maio. Dentre esses produtos, os destaques ficaram por conta de legumes (-26,46%), hortaliças (-11,57%) e frutas (-5, 73%). As elevações significativas ocorreram no preço do arroz (13,55%) e nas raízes e tubérculos (6,03%). Os alimentos industrializados, por sua vez, subiram 1,30%.O grupo Habitação registrou uma desaceleração de 2,04 ponto porcentual, fechando maio com uma taxa de 0,41%, ante uma alta de 2,45% em abril. Em Equipamento Doméstico a variação em maio foi de 0,43% ou menos 0,74 ponto porcentual na comparação com a taxa de 1,17% apresentada no mês anterior. O grupo Transportes registrou variação negativa de 1,37%, o que pode ser explicado pela queda de 1,85% nos gastos com transporte individual que reflete a redução nos preços dos combustíveis. Preços em altaNa outra ponta, Vestuário teve uma elevação de 2,04% por causa dos aumentos nos preços de roupas (1,98%) e calçados (2,50%). Esses produtos sofreram impacto da troca de coleção, de verão para inverno. Outra alta significativa dentro do ICV foi a de 12,50% mostrada pelo grupo Despesas Diversas, que teve um aumento de 15,70% nos gastos com animais. Os demais grupos se apresentaram da seguinte forma: Educação e Leitura (0,11%), Saúde (0,52%) e Despesas Pessoais (1%). PerspectivasA coordenadora do ICV do Dieese, Cornélia Nogueira Porto, espera que a inflação na cidade de São Paulo por este indicador encerre o ano em 14%. Isso significa, segundo ela, que até o final de 2003 o ICV deverá apresentar taxas de variação mensal menores do que as registradas até o momento. Até o final do ano, em alguns meses Cornélia prevê que o ICV poderá registrar taxas bem abaixo das já apresentadas, uma vez que o acumulado em 12 meses até maio está 18,30%.Em junho, a coordenadora do ICV espera uma taxa de inflação em torno de 0,60%, semelhante a do mesmo período do ano passado. Para julho, quando os efeitos dos reajustes das tarifas públicas começarão a aparecer, Cornélia estima uma taxa superior a 1,34% em igual mês de 2002. Já para agosto, ela prevê índices semelhantes aos de 2001, quando a inflação estava livre das pressões da desvalorização cambial. Os cálculos da coordenadora do ICV consideram também reajustes das tarifas em torno de 12%. No entanto, ela não acredita que as empresas de telefonia e energia elétrica vão conseguir repassar para seus preços toda a variação dos Índices Gerais de Preços (IGPs).

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