Índice de reajuste do aluguel cai 0,64% na 2ª prévia de junho, a queda mais intensa em 11 anos

Segundo a FGV, foi a maior queda desde junho de 2003; até a segunda prévia de junho, o IGP-M acumula altas de 2,56% no ano e de 6,35% em 12 meses

Idiana Tomazelli, Agência Estado

18 de junho de 2014 | 08h10

RIO - A segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho mostrou deflação de 0,64%, contra -0,04% na segunda prévia de maio. O resultado, anunciado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam taxa entre -0,70% e -0,49%, e se posicionou abaixo da mediana das expectativas (-0,60%).
A queda foi a mais intensa desde junho de 2003, ou seja, em 11 anos. Naquele mês, a deflação apurada pelo indicador havia sido de 0,66%.
O resultado acumulado do IGP-M é usado no cálculo de reajuste nos preços dos aluguéis. Até a segunda prévia de junho, o IGP-M acumula altas de 2,56% no ano e de 6,35% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da segunda prévia do IGP-M deste mês foi do dia 21 de maio a 10 de junho. 
Atacado. A queda de 0,64% no IGP-M foi determinada pelo recuo nos preços no atacado, bem como por uma alta menor no varejo. Os destaque foram os alimentos, que tiveram deflação em ambos os grupos.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) teve redução de 1,33%, puxado pelos bens finais (-1,32%) e pelas matérias-primas brutas (-2,47%). No primeiro grupo, os alimentos in natura intensificaram a queda, de -0,84% na segunda prévia de maio para -12,00% no indicador divulgado hoje. Só o tomate ficou 26,68% mais barato.
Já nas matérias-primas brutas, os itens que mais contribuíram para a desaceleração foram café (6,61% para -9,68%), leite in natura (5,00% para -0,97%) e milho em grão (-1,10% para -7,71%). Alguns itens continuam no terreno negativo, embora a queda seja menor, como minério de ferro (-6,16% para -4,47%) e aves (-3,91% para -2,32%). No sentido oposto, a soja acelerou de -0,03% para 2,32%.
Ainda no atacado, os bens intermediários caíram 0,38%, influenciados por materiais e componentes para a manufatura (-0,49% para -0,61%).
Consumidor. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) subiu 0,28% na segunda prévia de junho, menos da metade da taxa obtida em igual período de maio (0,66%). O movimento foi generalizado, já que seis das oito classes de despesa desaceleraram. Mas a principal contribuição partiu do grupo Alimentação (0,63% para -0,10%), com destaque para hortaliças e legumes, cuja taxa passou de 0,98% para -9,62%. Entre os itens que ficaram mais baratos estão o tomate (-11,64%) e a batata-inglesa (-18,51%).
Também perderam força na passagem do mês os grupos Saúde e Cuidados Pessoais (1,31% para 0,53%), Habitação (0,70% para 0,46%), Transportes (0,54% para 0,18%), Vestuário (0,88% para 0,44%) e Comunicação (0,17% para 0,14%). As maiores contribuições foram dos itens medicamentos em geral (2,41% para 0,21%), tarifa de eletricidade residencial (2,93% para 0,33%), etanol (0,86% para -2,26%), roupas (1,16% para 0,47%) e tarifa de telefone residencial (0,47% para -0,07%), respectivamente. 
No sentido contrário, aceleraram os grupos Educação, Leitura e Recreação (0,13% para 0,52%), com destaque para hotel (3,60%), e Despesas Diversas (0,37% para 0,94%), influenciado pelo jogo lotérico (6,44%).
Construção. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 1,67% na prévia anunciada hoje, contra alta de 1,06% na segunda prévia de maio. O custo da mão de obra segue pressionando e acelerou de 1,61% para 2,75%. Já o índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 0,49%, contra 0,46% em maio.
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