Índice de renegociação de dívidas cai 3,8%

Resultado mostra que as medidas adotadas pelo BC tornaram mais difícil a situação para o consumidor inadimplente

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

O primeiro efeito das medidas adotadas pelo Banco Central (BC) no mês passado para esfriar o crédito recaiu sobre o consumidor inadimplente. Pesquisa preliminar da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indica que o número de carnês com prestações em atraso que foram renegociados caiu 3,8% na primeira quinzena deste mês em relação a igual período de 2010.

Foi a primeira variação negativa na comparação anual depois de mais de um ano de crescimento no volume de dívidas em atraso renegociadas. "É uma troca de sinal, do azul para o vermelho, que indica uma mudança de tendência", diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri. "Esse resultado sugere que a bomba do BC caiu sobre o consumidor inadimplente. Daqui para frente, ele não vai ter tanta facilidade para renegociar dívida atrasada."

Em dezembro, o BC aumentou a fatia de depósitos compulsórios que os bancos têm de fazer à autoridade monetária. A intenção foi esfriar o ritmo de crescimento do crédito, retirando dinheiro da economia e tornando o seu custo mais caro. Tudo para segurar a escalada da inflação, que ganha força quando o consumo está aquecido.

Nesta semana, mais uma decisão nessa direção deverá ser tomada pelo BC. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)do BC, que termina amanhã, deve elevar a taxa básica de juros. Com isso, alerta Alfieri, ficará mais difícil renegociar as dívidas em atraso, pois os juros serão maiores. Por isso ele considera que a inadimplência líquida, que é o saldo entre os novos carnês em atraso e os que foram renegociados comparado com as vendas a prazo de três meses anteriores, deve subir.

Em janeiro do ano passado, a inadimplência líquida atingiu 5,8%. No mesmo período de 2009, por causa da crise financeira internacional, foi para 7,7%. Para janeiro deste ano, ele projeta algo entre 6,2% e 6,3%. "A inadimplência líquida deste mês deve ser mais alta que a de 2010, mas não vai chegar ao nível de janeiro de 2009", prevê.

Por enquanto, a inadimplência bruta, que é o número de novos carnês inadimplentes, continua bem comportada. Na primeira quinzena deste mês foram registrados 210,9 mil carnês com prestações atrasadas acima de 30 dias. A variação foi de 0,4% em relação a igual período de 2010.

Vendas. Os dados preliminares das vendas mostram que o ano começou aquecido para o comércio, porém com ritmo menos intenso que em janeiro de 2010. O volume de consultas para vendas prazo aumentou 8,8%, depois de ter aumentado 11,5% em dezembro na comparação anual.

Nas consultas para vendas à vista, a alta na primeira quinzena foi de 12,3% ante o mesmo período de janeiro de 2010. Em dezembro, a elevação havia sido de 14,8% na comparação anual. Na média, as vendas iniciaram 2010 crescendo 10,5%, depois de terem fechado 2010 com ritmo médio mais elevado, de 13,2%.

Dois fatores, segundo Alfieri, explicam essa perda de fôlego. Um deles é a base mais forte de comparação, que foi janeiro do ano passado, quando a economia estava em recuperação. O segundo fator é o "esfriamento" do consumo provocado pela decisão do Banco Central.

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