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Índice do BC aponta queda do PIB em janeiro

Desempenho da indústria provocou contração de 0,13% no IBC-BR em relação a dezembro, indicando dificuldades no início do ano

FERNANDO NAKAGAWA , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h43

A economia brasileira diminuiu de tamanho no início do ano. Em janeiro, o Índice de Atividade Econômica calculado pelo Banco Central (IBC-Br) teve contração de 0,13% na comparação com dezembro. Analistas explicam o movimento especialmente pelo fraco desempenho da indústria.

Apesar da primeira queda da atividade desde outubro, a variação foi melhor do que era prevista. A maioria do mercado esperava retração de 0,50%. Considerado uma prévia do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), o índice calculado pelo Banco Central começou o ano em marcha lenta. Após crescer nos últimos dois meses de 2011, a atividade voltou a cair e a indústria é apontada como principal causa.

Em janeiro, o setor industrial diminuiu 2,1% ante dezembro, o pior desempenho desde dezembro de 2008. Entre os vários motivos do tombo, está a produção de veículos que caiu mais de 30% no mês.

"Para esse resultado mais fraco (do IBC-Br) em janeiro contribuiu negativamente o comportamento da indústria e também da agropecuária, por causa de problemas climáticos no Sul do País", segundo um relatório do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

Os números só não foram piores porque o setor de serviços, em especial o varejo, continua em expansão. "A despeito do tombo sofrido pela atividade fabril, os demais segmentos da oferta, como os serviços, contribuíram para manter o IBC-Br com uma variação apenas ligeiramente negativa", diz a LCA Consultores em relatório.

"O comércio está forte porque há crédito, aumento da renda e a ação do governo em tentar cortar impostos", diz o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.

Segundo ele, os dados reafirmam a percepção de que a expansão da economia será fraca em 2012. Para ele, o PIB deve crescer 3,1% no ano.

Mais cética, a Gradual Investimentos prevê apenas 2,3%. As duas previsões são mais pessimistas que o restante do mercado que, na pesquisa semanal Focus, também divulgada ontem, cortou a expectativa de expansão da economia neste ano de 3,30% para 3,23%.

Efeito Selic. Enquanto isso, a estratégia do BC de cortar o juro deve surtir efeito mais visível apenas no segundo semestre e em 2013, quando o mercado espera crescimento mais forte. Para o próximo ano, a previsão dos analistas de expansão do PIB aumentou de 4,20% para 4,29%.

Tanto crescimento sem uma reação mais forte da indústria deve criar descompasso entre demanda e oferta, prevê o mercado, o que provoca inflação.

Entre os analistas, a expectativa para o "índice oficial", o IPCA, em 2012 está em 5,28%. Em 2013, os preços devem subir mais: 5,5%. "Há conforto com relação aos preços neste ano, mas a estratégia do BC cria riscos para 2013", diz Rosa.

Além da inflação, o economista-chefe da Sul América Investimentos pondera que a escolha do governo em incentivar o consumo ao invés do investimento - como infraestrutura ou maior capacidade de produção - gera outro efeito negativo.

"Como a indústria está fraquíssima e parte dessa demanda incentivada pelo governo vai ser atendida por importados, também vai aumentar o déficit nas contas externas."

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