Índice S&P 500 também entra no ''mercado do urso''

Indicador que mede desempenho de ações das principais empresas dos EUA perde 20% em relação ao pico

O Estadao de S.Paulo

10 de julho de 2008 | 00h00

Depois do Índice Dow Jones, ontem foi a vez de o S&P 500, que reúne as maiores empresas americanas, entrar no chamado mercado do urso - quando um indicador cai 20% em relação à sua pontuação máxima. O mau humor dos investidores nos Estados Unidos deveu-se a informações negativas relacionadas a bancos e aos temores sobre a capitalização das agências governamentais de habitação Freddie Mac e Fannie Mae. Por causa do feriado no Estado de São Paulo, a bolsa brasileira ficou fechada ontem. É provável que sinta apenas hoje os efeitos do pregão negativo na Bolsa de Nova York. As ações da Freddie Mac despencaram 23,77%, para US$ 10,26, seu menor nível de fechamento desde 23 de outubro de 1992 e maior queda porcentual desde novembro do ano passado. As ações da Fannie Mae caíram 13,11%, para US$ 15,31, seu nível mais baixo desde 22 de julho de 1992. Os papéis deslizaram por causa das preocupações dos investidores sobre as especulações de que ambas as companhias precisariam de uma injeção multimilionária de capital.Além das agências governamentais, vários ações do setor financeiro registraram perdas expressivas: Lehman Brothers Holdings perdeu 11% e MF Global, 10,47%. As ações do banco de investimentos Merrill Lynch caíram 9,25%, depois que a agência de classificação de risco Fitch alertou que a instituição corria risco iminente de rebaixamento de crédito. Entre as ações de bancos que fazem parte da cesta do Índice Dow Jones, o Citigroup perdeu 5,46%, a American Express, 5,70%, o Bank of America, 6,29%, e o JP Morgan, 4,17%. O indicador recuou 2,08%.Essa nova liquidação no setor financeiro foi suficiente para enviar o S&P500, considerado a mais ampla medida das ações americanas, a oficialmente entrar no bear market (mercado do urso, em inglês), com queda de 2,28%. Esse nível de fechamento está mais de 20% abaixo da máxima de 1.565 pontos registrada em 9 de agosto do ano passado. A bolsa eletrônica Nasdaq recuou 2,60%. Com relação ao noticiário corporativo, as ações da gigante do setor alumínio Alcoa fecharam em baixa de 2,55%, apesar do resultado acima do esperado anunciado na noite de terça-feira. Nesta quinta-feira, a petrolífera Chevron Corp vai divulgar a prévia de seu balanços do segundo trimestre. Espera-se que a segunda maior companhia de petróleo dos EUA em valor de mercado anuncie um forte lucro decorrente da disparada dos preços da commodity. No setor de tecnologia, destaque para a queda de 5,68% das ações da Cisco Systems, depois que analistas do UBS e do RBC Capital Markets levantaram dúvidas sobre a perspectiva da companhia para o trimestre que se encerra no fim do mês. No mercado de bônus, os preços dos títulos do Tesouro dos EUA subiram, com respectiva queda dos juros, impulsionados pelas perdas das ações em meio às continuadas preocupações com relação à saúde do sistema financeiro, segundo analistas. Rick Klingman, diretor-gerente de transações com Treasuries do banco BNP Paribas, disse que as ações ajudaram a levantar os bônus governamentais, "pela falta de qualquer outra coisa para observar". No fim da tarde em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,415%, de 4,457% terça-feira; o juro das T-notes de 10 anos estava em 3,814%, ante 3,884%; o juro das T-notes de 2 anos estava em 2,365%, de 2,479% terça-feira.DOW JONES NEWSWIRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.