Índice vai medir evolução da infraestrutura

Técnicos de ministérios e do IBGE estudam fórmula para mensurar investimentos no setor

LU AIKO OTTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2011 | 03h02

Um grupo de técnicos do governo estuda criar uma forma de medir os investimentos em infraestrutura. O ponto de partida é um novo indicador proposto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Precisamos de um aferidor de investimentos em infraestrutura para que possamos fazer uma comparação internacional", disse o presidente do Conselho de Infraestrutura da entidade, José de Freitas Mascarenhas. "Hoje, não tem nenhum."

Segundo Mascarenhas, existem algumas estatísticas sobre esse tipo de investimento no País, mas são feitas por consultorias e não têm o grau de precisão que seria possível se o cálculo fosse feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abastecido por outras bases de dados do governo. "Temos enorme déficit em infraestrutura", avaliou. "É importante ver qual é o estágio para convencermos o governo a elevar o investimento, que é baixo."

A ideia foi aceita pelo governo e agora técnicos dos Ministérios do Planejamento e da Fazenda, além do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), discutem ajustes na proposta da CNI. Os debates estão em estágio inicial e serão necessários alguns anos até que o novo indicador esteja desenvolvido.

Um integrante desse grupo explicou que o objetivo não é inflar a medida dos gastos do governo em infraestrutura. Ao contrário: pode até haver uma redução, uma vez que o cálculo poderá ser feito pelo gasto efetivo e não pelos empenhos, como ocorre hoje. O empenho ocorre quando uma verba é comprometida com o pagamento de um contrato específico.

Recuperação. O Brasil já investiu de 5% a 6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura no passado, mas hoje a taxa está na casa dos 2,5%, informou o dirigente da CNI. "Mesmo considerando o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), seria necessário pelo menos dobrar o volume", defendeu.

A taxa ideal seria da ordem de 7%. Ele avaliou que as áreas de telecomunicações e a de petróleo e gás estão razoavelmente atendidas. "O resto é problema", observou.

Uma das estatísticas disponíveis é a da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), calculada anualmente. O dado de 2010, o mais recente, aponta para investimentos no total de R$ 146,5 bilhões, o mais alto desde 2003. A expectativa de investimentos entre 2011 e 2015, pelo que calculou a entidade, seria de R$ 922 bilhões.

Não há estimativa para 2011. Mas já se sabe que os investimentos do setor público, aí incluídas as empresas estatais, caíram na comparação com 2010. Em termos reais, a redução entre janeiro e novembro, comparado com igual período do ano passado, chegou a R$ 15,4 bilhões, segundo levantamento da organização Contas Abertas.

O governo pretende mudar essa situação no ano que vem, recuperando pelo menos o nível de 2010. A ideia é que o setor privado volte a investir, estimulado pela ação do governo. Sem esse movimento, será difícil atingir a prometida taxa de crescimento entre 4% e 5% em 2012.

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