Marcos De Paula/Estadão
Marcos De Paula/Estadão

'Índices de confiança mostram que recessão já acabou', diz FGV

Confiança do consumidor subiu 5,4 pontos em julho ante junho; para Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, recuperação passa pela redução do papel do Estado

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2016 | 10h50

O Brasil está vivendo uma economia em transição e a melhora das expectativas que já aparece nos índices de confiança indica que a recessão chegou ao fim, afirmou o ex-presidente do Banco Central (BC) e diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Langoni.

A confiança do consumidor  subiu 5,4 pontos em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, informou a FGV. Com o resultado, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ficou em 76,7 pontos, após registrar o terceiro avanço consecutivo.

"As expectativas estão ainda num momento dinâmico de ajustamento. Os índices de confiança, todos eles, indicam que a recessão já acabou (...)", disse Langoni no seminário Reforma Fiscal, promovido pela FGV em parceria com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), mencionando indicadores de confiança do consumidor, empresariado e agronegócios e uma melhora no ambiente de negócios.

Para Langoni, a recuperação econômica passa necessariamente pela redução do papel do Estado, a abertura da economia e uma onda de privatizações e concessões. Segundo ele, o reconhecimento disso pelo governo do presidente interino, Michel Temer, já "é um passo gigantesco".

"O Brasil está se reencontrando com uma arquitetura macroeconômica coerente, consistente e previsível, numa nova fase de crescimento sustentável", disse, destacando que o grande desafio será o ajuste interno, que passa por uma complexa negociação com o Congresso e depende da capacidade de negociação do executivo.

De acordo com a FGV, o Índice da Situação Atual (ISA) subiu 1,0 ponto em julho, para 65,7 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE) saltou 8,2 pontos, para 85,3 pontos, o maior nível desde dezembro de 2014, quando estava em 87,2 pontos. Apenas nos últimos três meses, o IE cresceu 19,5 pontos. O levantamento de julho coletou informações de 1.943 domicílios, entre os dias 1 e 20 de julho.

"A alta da confiança do consumidor nestes três últimos meses foi quase que inteiramente determinada pela melhora das expectativas, um descolamento aparentemente iniciado durante o desfecho da primeira fase do processo de impeachment", avaliou Viviane Seda Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor, em nota oficial. "A rápida melhora das expectativas após a entrada do governo interino, no entanto, parece superar a velocidade de recuperação cíclica da economia no curto prazo, ainda mais considerando-se os riscos ainda existentes no ambiente político, como a segunda fase do impeachment, as eleições e a votação das medidas de ajuste fiscal."

O nível de satisfação dos consumidores com a situação financeira familiar atual também subiu, com alta de 1,8 ponto em julho ante junho, atingindo 59,0 pontos, segundo os resultados do Índice de Confiança do Consumidor (ICC). Apesar da alta, o indicador manteve-se em patamar muito próximo à mínima histórica, registrada em abril de 2016, quando alcançou 56,9 pontos, observou a FGV.

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