Indiferença dos vizinhos é ''espantosa'', dizem ministros

Postura irredutível de autoridades do país vizinho chocou equipe de negociadores brasileiros

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Apesar do ceticismo em torno das negociações sobre a energia da Hidrelétrica de Itaipu, a equipe de ministros e técnicos do setor energético que participaram das conversas com os paraguaios, na noite de quinta-feira, em Brasília, ficou "espantada" com o desfecho da visita do presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Um dos representantes do Brasil disse ao Estado que "o lado brasileiro saiu chocado da reunião, pela indiferença dos paraguaios".Ao fim do jantar oferecido a Lugo, no Palácio da Alvorada, um ministro brasileiro comentava, em tom irônico, que os técnicos paraguaios davam a impressão de ter mais petróleo que a Venezuela e mais popularidade que o presidente Lula.A reunião começou com uma conversa rápida e a sós entre os dois presidentes. Ao se juntar ao grupo, novamente, Lula fez um pequeno discurso, cheio de elogios a Lugo, e disse que o governo brasileiro tinha algumas propostas a fazer. Em seguida. Lugo respondeu com manifestações de simpatia ao governo brasileiro, mas não propôs nada. Foi aí que o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, tomou a palavra e lembrou que havia uma série de protocolos de cooperação e alguns convênios para assinar.A cordialidade ensaiada foi sepultada pelo chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, que respondeu a Amorim de maneira cortante, dizendo que não havia nada a assinar: "Temos a questão de Itaipu. Antes de resolvê-la, não dá para resolver mais nada", afirmou Lacognata, segundo relato de um dos presentes.Mais que depressa, o chanceler obteve o apoio explícito do ministro da Fazenda do Paraguai, Dionisio Borba, que praticamente repetiu o colega de ministério.Celso Amorim ainda falou da construção de um linhão de transmissão de energia, de Itaipu à capital paraguaia Assunção, onde os apagões são frequentes.CRÉDITOO Brasil já havia proposto a abertura de uma linha de crédito de R$ 430 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas na reunião dos dois presidentes ninguém se interessou pela oferta. "Queremos ver é esta questão de Itaipu mesmo", insistiu o chanceler. Diante das negativas paraguaias, o presidente Lula olhou para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e perguntou se ele gostaria de falar mais alguma coisa. A resposta foi curta: "Não, presidente".FRASESHéctor LacognataChanceler paraguaio"Temos a questão de Itaipu. Antes de resolvê-la, não dá para resolver mais nada"Fernando LugoPresidente do Paraguai"O Paraguai não renunciou a nenhuma das reivindicações"Luiz Inácio Lula da SilvaPresidente da República"Não existe tabu nas nossas relações"

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