Indígenas mantêm ocupação na usina de Belo Monte

Prazo determinado pela Justiça para saída pacífica dos índios do canteiro de obras terminou na quarta-feira

FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA O ESTADO/CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2013 | 02h03

Os cerca de 170 indígenas acampados na Usina Hidrelétrica Belo Monte em Vitória do Xingu, no Pará, reiteraram ontem que não sairão do canteiro de obras, o Sítio Belo Monte, mesmo com a determinação da Justiça Federal. Eles exigem a retirada imediata da polícia do canteiro. O prazo determinado pela Justiça para saída pacífica dos índios terminou às 17h de anteontem.

Os índios ocupam o canteiro desde a madrugada de segunda-feira. Eles exigem suspensão dos estudos e das obras nos Rios Xingu, Tapajós e Teles Pires e a realização a consulta prévia, prevista na Constituição e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Ontem o clima foi tenso no sítio. Os índios ameaçavam atear fogo nas instalações da usina, caso a polícia insistisse em cumprir a reintegração de posse. "Enquanto houver a presença dos policiais da Força Nacional, não podemos dialogar", afirmaram os indígenas em carta escrita ontem pela manhã.

Apesar dessa decisão, os manifestantes temem que aconteça o mesmo que ocorreu na ação da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul. Lá uma ação de reintegração de posse na terra indígena Buriti terminou com a morte de um índio terena na manhã de ontem.

Na carta divulgada anteontem, os indígenas reafirmaram a decisão radicalizar. "O massacre foi anunciado e só o governo pode evitar", dizia trecho do documento. Até às 18 horas de ontem a determinação da Justiça Federal não havia sido cumprida. A assessoria da Polícia Federal informou que é difícil que essa determinação seja cumprida antes de segunda-feira.

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