'Indignados' de NY fazem protesto

Cerca de 100 manifestantes foram detidos

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h07

A polícia de Nova York usou spray de pimenta e prendeu entre 80 e cem pessoas durante ação para conter protestos contra os bancos de Wall Street e o governo americano. Pelo menos 50 pessoas continuavam detidas na noite de ontem e outras centenas passariam mais uma noite no acampamento montado no distrito financeiro de Manhattan há mais de uma semana.

Os manifestantes agiam de forma pacífica. Porém, interromperam o trânsito e realizaram protestos em algumas áreas da cidade sem a licença exigida pela polícia de Nova York. Na tarde de sábado, centenas de manifestantes, impedidos de permanecer na região de Wall Street, caminharam alguns quilômetros pela Broadway, tomando a Washington e a Union Square, que são duas das praças mais movimentadas da cidade, em uma área próxima da Universidade de Nova York.

Vídeos no YouTube mostram policiais disparando spray de pimenta contra manifestantes e arrastando jovens pela calçada, alguns deles feridos. Um dos detidos é o médico brasileiro Alexandre Carvalho, que vive em Nova York e foi liberado horas mais tarde. Junto com a namorada, a também brasileira Vanessa Zettler, que estuda ciências humanas em Nova York, ele participa dos protestos desde o início, dormindo todas as noites no acampamento em Wall Street.

"Como estávamos proibidos de protestar em Wall Street, tomamos a Broadway. Mas a polícia montava barricadas e tivemos de ir desviando", disse. "Na Union Square, a polícia nos circundou e fez prisões em massa. Fui preso quando tentei ajudar uma menina que tinha sido atingida por spray de pimenta."

Carvalho foi colocado em um camburão com outras 16 pessoas. "Ficamos sem ventilação, algemados", afirmou. Alguns dos presos, em sua maioria universitários e jovens profissionais, mas também alguns idosos, foram levados em ônibus comuns para a central da polícia em Manhattan porque não havia viaturas suficientes. De acordo com informações no site dos organizadores do protesto, a estratégia é "usar a tática revolucionária da Primavera Árabe de ocupação em massa para restaurar a democracia nos Estados Unidos".

Paz. "Encorajamos o uso da não violência para atingir nossos objetivos e garantir a segurança dos participantes", diz o texto da organização. O grupo conta com o apoio do grupo de hackers Anonymus, um dos mais ativos da internet. Mas a expectativa de juntar 20 mil pessoas no acampamento nunca foi alcançada.

Opositores da ocupação de Wall Street ironizavam que os manifestantes usavam BlackBerrys, iPhones e computadores da Apple protestando contra o capitalismo.

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