Índios invadem canteiro da usina Dardanelos e fazem 100 reféns

Pintados para a guerra e armados de flechas e tacapes, índios de 11 etnias invadiram ontem o canteiro de construção da usina hidrelétrica de Dardanelos, em Mato Grosso, e tomaram cerca de cem operários como reféns. Eles querem receber uma compensação financeira de R$ 10 milhões pela inundação de áreas indígenas e a interrupção dos projetos de expansão da produção energética por meio de pequenas centrais (PCHs) previstas ao longo do Rio Juruena, que corta as reservas.

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

Por determinação do Ministério da Justiça, uma comissão, integrada por representantes da Funai e da Polícia Federal se deslocará hoje para Aripuanã, norte do Estado, onde fica a sede da hidrelétrica invadida, para negociar a libertação dos reféns e a solução do impasse. Os controladores do empreendimento também entram hoje com pedido de reintegração de posse.

A ocupação da usina foi feita pela manhã por cerca de 300 guerreiros, liderados por caciques das etnias Arara e Cinta Larga. Os cintas largas procedem da mesma região de Rondônia, a Reserva Roosevelt onde, em 2004, foram massacrados 29 garimpeiros. Os primeiros relatos da invasão são imprecisos, mas não há registro de mortos ou de confronto entre índios e operários.

Maior hidrelétrica de Mato Grosso, Dardanelos vai integrar ao Sistema Nacional 36 cidades atendidas por térmicas na região. A usina é uma das duas que tiveram construção autorizada no último no leilão de energia nova promovido pela Aneel.

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