Índios ocupam obras de usina em Mato Grosso

Araras e cintas-largas querem receber R$ 50 mil por mês, além de duas caminhonetes e dois carros

FÁTIMA LESSA , ESPECIAL PARA O ESTADO, CUIABÁ , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h05

Armados com arcos, flechas e bordunas, cerca de 50 índios das etnias arara e cinta-larga estão acampados desde segunda-feira na Usina Hidrelétrica de Energia Dardanelos em Aripuanã, noroeste de Mato Grosso, a 883 km de Cuiabá. Eles reivindicam cumprimento do pagamento do direito de compensação ambiental pela Energética Águas da Pedra S.A. (Epsa), concessionária da usina.

Segundo a Polícia Militar, os manifestantes pedem R$ 50 mil por mês para manter duas associações que foram construídas nas aldeias, além de duas caminhonetes e dois carros. Ainda segundo a PM, que está no local, no início da manifestação cerca de 20 funcionários foram feitos reféns, mas já foram liberados. Para garantir a integridade dos funcionários e temendo novas depredações às suas instalações, a Epsa informou que retirou seus operadores do local.

É a terceira ocupação desde o início das obras. Este ano, já é a segunda. A primeira foi em maio, quando os araras e os cintas-largas reivindicaram participação de 5% nos lucros da produção de energia, além da cessão de dois ônibus e a construção de moradias, que foram prometidas no Plano Básico de Meio Ambiente, para compensar os danos causados pela obra a cerca de mil índios da região.

A Usina de Dardanelos é um investimento de quase R$ 800 milhões e começou ser construída em agosto de 2007. Segundo o site da empresa, terá potência instalada de 261megawatts (MW), com cinco unidades geradoras com turbinas tipo Francis, sendo quatro com potência de 58 MW e uma com 29 MW. A previsão para entrada em operação de quatro unidades geradoras era março de 2011, após a conclusão do sistema de transmissão da rede básica, de outro concessionário, onde a usina será conectada. Essa data foi remarcada para o início de janeiro.

A empresa divulgou nota informando que a usina foi invadida e ocupada pela etnia arara do Rio Branco, "com exigências descabidas e absurdas, tais como pagamentos mensais em dinheiro, o que, sob nenhuma hipótese, cabe à empresa atender".

A empresa diz ainda que "repudia veementemente essa atitude injustificada, que infelizmente vem se tornando rotina". A Epsa espera que sejam restabelecidas a ordem e a segurança pública para permitir o funcionamento normal da usina hidrelétrica.

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