Índios prometem antecipar protestos contra Belo Monte

Ao tomar conhecimento do resultado do leilão da usina de Belo Monte, lideranças indígenas do Parque Nacional do Xingu demonstraram irritação e prometeram antecipar as manifestações de protestos contra a construção da hidrelétrica no Rio Xingu, no Pará, na região de Altamira. A articulação indígena já começou em todo o Xingu. "Na quinta-feira vocês terão notícias da Belo Monte aqui", disse o cacique kaiapó Megaron Txcurramãe. O líder indígena está reunido desde a segunda-feira com cerca de 30 lideranças na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, nordeste de Mato Grosso, quase na divisa com o Pará.

FÁTIMA LESSA, Agencia Estado

20 de abril de 2010 | 19h42

Embora a usina esteja prevista para ser construída no Pará, o cacique Megaron disse que não se pode esquecer que o Rio Xingu nasce em Mato Grosso. Ele acredita que o rio será "atingido em toda sua constituição e todos que dependem dele serão prejudicados". O rio corta o Pará e deságua no Rio Amazonas. Tem 1,8 mil quilômetros de extensão. "Todos os povos indígenas serão prejudicados. Nossa pesca, nossas matas, vai ser muito feio mexer com o rio. Não podemos ficar esperando que governo se preocupe com os índios, por isso não vamos desistir da luta" afirmou Megaron.

O descontentamento dos kaiapós com a construção de hidrelétrica no Rio Xingu é antiga. Há 20 anos, reuniões entre kaiapós e representantes do governo terminaram em cenas violentas. Os caciques Raoni e Megaron, líderes dos Caiapós no Estado, prometeram engrossar os protestos em Altamira (PA) com no mínimo 100 índios considerados "guerreiros". "Mas isso não vai enfraquecer nossas manifestações aqui na Aldeia Piaraçu", observou Megaron.

O cacique Raoni Metuktire disse que a represa pode atingir seu povo. "Estou muito preocupado com o futuro de meus netos, meus bisnetos, por isso luto para manter a terra e o Rio Xingu como são agora".

Hoje, representantes de entidades de movimentos sociais de Mato Grosso que participavam de um ato organizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no centro da cidade vaiaram quando souberam do resultado do leilão. "É uma falta de respeito com os povos indígenas que irão ser afetados e além disso é o dinheiro público que está sendo usado de maneira irresponsável", disse o representante do Fórum Permanente de Luta contra a Violência em Mato Grosso, Inácio José Werner.

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