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Indústria ainda acumula estoque excessivo, aponta pesquisa da FGV

Reação da cadeia automobilística, estimulada pelo corte do IPI, atenua a situação crítica dos demais setores

Márcia De Chiara, Cleide Silva e Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Depois do tombo que a indústria brasileira tomou no último trimestre do ano passado, com recuo de 7,4% em seu Produto Interno Bruto (PIB) e o corte abrupto na produção, as fábricas ainda acumulam estoques excessivos de produtos acabados em seus armazéns, revela a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O volume de mercadorias acima do normal sinaliza que medidas adicionais de ajuste na produção podem ser tomadas pelos empresários, o que deve adiar a retomada da atividade ao ritmo normal."A recuperação da indústria ainda é frágil, diante da deterioração que houve no fim do ano passado", diz o coordenador da sondagem, Aloísio Campelo. Ele considera em sua análise a evolução das quantidades de estoques uma variável fundamental para sinalizar a recuperação do ritmo de produção. No primeiro bimestre, dos 14 setores pesquisados pela sondagem com cerca de mil empresas, em quatro deles - a indústria mecânica, de papel e celulose, a têxtil e o grupo que inclui artigos de madeira, borracha e artigos de limpeza, entre outros - a situação piorou. Ou seja, houve uma ampliação dos volumes de estoques indesejados em relação ao último trimestre de 2008, quando a crise eclodiu.Entre outubro e dezembro de 2008, praticamente todos os setores estavam com volumes de estoques indesejados. "Hoje há menos setores com muito estoque", resume Campelo.ACOMODAÇÃOMesmo os segmentos que conseguiram enxugar os estoques indesejáveis entre janeiro e fevereiro não estão no melhor dos mundos. De acordo com a sondagem, foram nove setores que reduziram estoques excessivos no primeiro bimestre deste ano. E, desses, cinco acumulam quantidades menores do que em dezembro, mas ainda acima da média histórica. Nesse rol estão as siderúrgicas, as metalúrgicas, a indústria química, farmacêutica e a de material elétrico e de comunicações.A indústria química, por exemplo, mostrou um primeiro sinal de recuperação da produção em janeiro, com alta de 0,5% em relação a dezembro de 2008, mas 30% menor comparada com o mesmo mês de 2008. "Não sei se o pior passou, mas houve uma acomodação. Foram meses de desestocagem, agora pode vir a recuperação", diz o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Nelson Pereira dos Reis. O diretor de assuntos corporativos da farmacêutica Eli Lilly, Allan Finkel, diz que não viu o setor ser fortemente afetado, mas tem medo do futuro. "Com o aumento do desemprego, temo que tenhamos tempos mais difíceis à frente." Desempregados, muitos perderão o acesso a planos de saúde, que cobrem médicos e remédios.Na análise de Campelo, da FGV, os números dos estoques revelados pela sondagem mostram que o movimento de ajuste nas fábricas não se esgotou.O encalhe de produtos na indústria persiste e fica mais nítido quando se exclui a cadeia automobilística, que, de uma certa forma, encobre a real situação da indústria de transformação. Beneficiada pela redução de impostos e fortes promoções no varejo, os fabricantes de material de transporte conseguiram promover a maior redução no volume de produtos em excesso no começo do ano e já estão em níveis muito próximos da normalidade. Para Campelo, se for expurgada a cadeia automobilística, o indicador de estoques da indústria em fevereiro teria se mantido em relação a dezembro, quando atingiu níveis recordes e mais de 20% das empresas informaram ter um volume excessivo de mercadorias. CORTE DO IPIEm dezembro, havia 305 mil veículos nos pátios das montadoras e das revendas, o equivalente a quase dois meses de vendas. No fim de fevereiro, o estoque baixou para 181,5 mil unidades, ou 27 dias de comercialização, muito perto do que as empresas consideram normal - por volta de 25 dias de estoque.Após atingir um dos mais baixos resultados dos últimos meses, com 177,8 mil veículos novos vendidos em novembro, a indústria automobilística se recuperou aos poucos, após ser beneficiada com o corte da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e planos especiais de financiamento.Em dezembro, foram vendidos 194,5 mil veículos e em janeiro, 197,5 mil. No mês passado foram 199,4 mil. A expectativa das montadoras é de nova melhora em março, mas o receio é o que virá depois. O corte do IPI está previsto para terminar no fim do. Há um debate no governo sobre a prorrogação, mas nada está definido."É mandatório manter por mais três meses o IPI", defende o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall. Nesse período, diz, será possível discutir com o governo outras medidas de incentivo. Paulo Butori, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), quer o corte pelo menos até o fim do ano. NÚMERO305 milé a quantidade de veículos que lotavam os pátios das montadoras e revendas em dezembro, sendo vendidos naquele mês 194,5 mil unidades e, em fevereiro, 199,4 mil

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