Indústria alimentícia espera que exportação volte a crescer em 2015

Alta do câmbio e maiorproximidade entre China e Argentina devem ajudar na negociação de acordos com os EUA

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2015 | 02h05

A desvalorização do câmbio, que está fazendo o dólar beirar os R$ 3, e o estreitamento das relações comerciais entre Argentina e China melhoram as expectativas de exportação da indústria brasileira de alimentos para este ano. O setor fechou 2014 com vendas externas de US$ 41,1 bilhões, cifra 2,8% menor em relação a 2013. Para 2015, a indústria de alimentação espera que as exportações voltem a crescer, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia).

"Estamos esperançosos com as negociações internacionais. Com as últimas notícias de aproximação da Argentina com a China, o Brasil fica liberado para conversar com os Estados Unidos, que é o grande mercado consumidor, e com isso poderá fechar acordos importantes", diz o presidente da Abia, Edmundo Klotz. O Mercosul, na sua opinião, tem sido uma pedra no caminho nas vendas externas do setor de alimentos.

As exportações respondem por 20% do faturamento da indústria alimentícia, que encerrou o ano passado com vendas totais de R$ 529,6 bilhões e crescimento de 1,5% em relação a 2013, descontada a inflação do período. A produção física em 2014 avançou apenas 1,13% sobre o ano anterior.

Tanto a produção física como o faturamento real da indústria alimentícia registraram no ano passado a menor taxa de expansão dos últimos dez anos. Em 2010, por exemplo, quando a economia estava a todo vapor e crescia 7,5%, as vendas reais da indústria de alimentos aumentaram 7,1% e a produção física, 5,1%. De lá para cá, as taxas desaceleraram a cada ano.

Apesar da perda de fôlego, Klotz considera que o desempenho do setor em 2014 foi "razoável". Isso porque a indústria de alimentos conseguiu avançar mais que o Produto Interno Bruto (PIB), mesmo que no final das contas tenha se expandido num ritmo menor do que o inicialmente previsto. "Todos os setores caíram, mas a nossa indústria registrou crescimento", ressalta Klotz.

Também o desempenho do emprego do setor não foi brilhante. No ano passado, foram criados 17 mil postos de trabalho, quase um terço do ano anterior, quando tinham sido abertas 60 mil vagas. Mesmo com uma geração de vagas menor, o presidente da Abia diz que a perspectiva não é de demissões em massa, como ocorre no setor automobilístico, até por causa da dificuldade de recrutar mão de obra especializada e do alto custo de treiná-la.

Migração. Para este ano, apesar das incertezas, Klotz acredita que a produção física da indústria de alimentos deve crescer no mesmo ritmo de 2014, puxada pelas exportações e em menor proporção pelo mercado interno. Embora com a perspectiva de ganho de renda menor do trabalhador, pela a experiência acumulada ao longo de 30 anos no setor, Klotz acredita que as pessoas não vão deixar de comprar alimentos. Podem até reduzir a aquisição de itens financiados e ampliar os gastos com comida. "Há chance de migração de consumo."

Diante de tantas incertezas existentes no cenário econômico de 2015, o presidente da Abia acredita que os empresários do setor não devem acelerar os investimentos na expansão de capacidade das fábricas, especialmente agora com o risco de racionamento de energia elétrica e de água. No ano passado, os investimentos na indústria de alimentos somaram R$ 11,7 bilhões, praticamente a mesma cifra aplicada em 2013, que foi de R$ 11,5 bilhões.

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