Indústria amplia uso da capacidade e estoque é baixo

Em janeiro e fevereiro, o nível de uso da capacidade instalada esteve menor do que o normal para o período, segundo a CNI

Renata Veríssimo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2010 | 00h00

O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) pela indústria em março ficou acima do usual para o mês. Apesar disso, os estoques estavam abaixo do nível planejado pelas empresas, segundo revelou a Sondagem Industrial do primeiro trimestre de 2010. Nos meses de janeiro e fevereiro, o Nuci esteve menor do que o normal para o período.

A pesquisa mensal não revela porcentuais de utilização do parque industrial. Os empresários apenas informam que se estão operando igual, abaixo ou acima do usual para o mês. Mas, segundo a CNI, no acumulado do primeiro trimestre, o Nuci fechou em 74%, ainda abaixo do registrado antes da crise mundial (78% no terceiro trimestre de 2008).

Inflação. O elevado uso do parque industrial é apontado pelo Banco Central como um possível fator de aumento da inflação. O temor é que a indústria não consiga ofertar o suficiente para atender o aumento da demanda, pressionando os preços para cima. Na comparação com o primeiro trimestre de 2008, quando a economia estava aquecida, o indicador foi de 75%, apenas um ponto porcentual a mais que este ano.

A boa notícia revelada pela Sondagem Industrial, na avaliação da CNI, é que a recuperação da atividade foi disseminada em março. Apenas o setor de madeira não registrou crescimento no mês passado. Essa maior atividade industrial veio acompanhada de uma expansão forte do emprego.

A sondagem do primeiro trimestre deste ano registrou o melhor resultado da série desde o terceiro trimestre de 2004. Todos os setores contrataram mais no primeiro trimestre de 2010.

Segundo a CNI, esse fato é incomum, porque atividade industrial neste período do ano é menos intensa do que no trimestre anterior.

"Encerramos o primeiro trimestre quase superando todos os problemas da crise", afirmou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

Os empresários informaram, no entanto, que o acesso ao crédito ainda está difícil. Segundo os empresários, as dificuldades continuam maiores que no primeiro trimestre de 2008, quando não havia efeitos da crise.

No entanto, a Sondagem mostra uma recuperação do crédito a partir do segundo trimestre de 2009.

Fonseca explicou que a pesquisa não identifica o motivo da dificuldade das empresas para captar recursos: se por falta de oferta ou por problemas das empresas em oferecer garantias. "A pergunta é sobre o acesso ao crédito. Tem que ter acesso. Não vale estar só na prateleira", disse. Ele lembrou que historicamente as pequenas empresas têm dificuldades em apresentar as garantias exigidas pelos bancos. No entanto, destacou que, na apuração dos dados por porte de empresa, o acesso ao crédito ainda não se normalizou também para as grandes empresas.

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