Indústria argentina começa a parar por falta de insumos

A escassez de insumos reduziu o ritmo de produção nas fábricas argentinas, segundo dados da União Industrial Argentina (UIA). Os 101 dias de conflito entre o governo e setor agropecuário, agravados pelos bloqueios de rodovias por parte dos transportadores de grãos e de produtores rurais, provocaram também a dispensa temporária de trabalhadores. Arcor, Georgalos e Aceitera General Deheza (empresas de alimentos), Agrometal, Mainero e Metalflor (empresas de veículos e máquinas agrícolas), e Alladio (lavadoras de roupa) são alguns exemplos entre os que enfrentam problemas para produzir com a falta de matéria-prima.De acordo com um levantamento feito pela Confederação Argentina da Média Empresa (Came) junto a 375 empresários de pequenas e médias empresas de todo o país, 55% reconheceram que reduziram o ritmo de produção e dispensaram funcionários, ou pensam em fazê-lo nas próximas horas. Em uma entrevista à imprensa de empresários em Córdoba, a segunda maior província do país e onde estão concentrados centenas de empresas, "mais de 20 mil trabalhadores foram dispensados por não terem o que fazer", disse Oscar Guardienelli, da UIA local.Os números dos empresários apresentados sobre a área industrial da província de Córdoba são preocupantes. No setor de máquinas agrícolas, paralisado há três meses, e nos frigoríficos, há quatro mil empregados parados; na indústria de alimentação, são entre quatro e seis mil.Em La Pampa, a indústria frigorífica dispensou 1.200 pessoas, segundo o secretário do sindicato do setor, Sergio Barona. Na província de Santa Fé, a terceira maior do país, a construtora Dycasa dispensou 200 operários. Nos supermercados, a situação não é diferente, segundo o presidente da Associação de Supermercados Unidos, Juan Carlos Martinez. "O panorama para o fim de semana é assustador", disse ele. Faltam carne, frutas, verduras, farinhas, laticínios e óleos.

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