Indústria automotiva diminui uso da capacidade instalada

Nível de utilização, acima de 88%, é melhor que o do pico da crise, mas ainda não atinge patamar de 2008

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

21 Janeiro 2010 | 16h51

Apesar dos incentivos fiscais do governo em 2009, a indústria da cadeia automotiva, que engloba automóveis, ônibus, caminhões e autopeças, não alcançou o patamar de uso de capacidade instalada acima de 90% atingido nos primeiros dez meses de 2008. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Agência Estado, mostra que o nível de utilização de capacidade instalada (Nuci) de material de transporte - que abrange a cadeia automotiva -, atingiu taxas de 88,7% e de 88,5%, respectivamente, em novembro e em dezembro de 2009.

 

Nos meses de dezembro de 2008 e de janeiro do ano passado, época em que a indústria sentiu de forma expressiva os efeitos da crise, o Nuci de material de transporte atingiu usos de capacidade de 76,6% e de 76,5%, respectivamente, patamares considerados muito baixos para o setor, na série da fundação. "Os números (de novembro e de dezembro do ano passado) mostram recuperação forte em relação ao fundo do poço do início do ano, mas ainda estão abaixo do nível alcançado antes da crise", resumiu o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia da fundação (Ibre/FGV), Aloisio Campelo.

 

Setor deve melhorar em 2010, dizem especialistas

 

Para especialistas do setor, o ano de 2010 deve mostrar patamares mais elevados de Nuci em material de transporte, mais próximos ao cenário de 2008. O pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Unicamp, Fernando Sarti, comentou que, para este ano, o mercado aguarda um aumento na produção automotiva do País, estimulada por mercado interno aquecido, e pela recuperação nas vendas para o exterior - que sofreram um grande baque com a crise. A opinião do economista é similar à da PriceWaterhouseCoppers. Dados citados pela Price em relatório sobre setor automotivo divulgado este mês mostram que, somente as exportações de veículos leves brasileiros tiveram queda de 43% no ano passado.

 

Na análise da consultoria, esse cenário foi contornado pelo aquecimento no mercado interno brasileiro, impulsionado por medidas como a redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis. No relatório, o Brasil é considerado como o grande destaque na produção da cadeia automotiva no continente sul-americano nos próximos anos, e uma aposta para o futuro de grandes montadoras como Ford, Volkswagen e Hyundai, que anunciaram recentemente aumentos de capacidade instalada no País. "Praticamente todas as grandes montadoras anunciaram investimentos em aumento de capacidade no Brasil", comentou Sarti.

 

Setor automobilístico está otimista

 

Dentro da indústria de material de transporte, o setor automobilístico é um dos mais otimistas. A produção total de autoveículos, montados e desmontados, encerrou 2009 com total de 3,18 milhões de unidades, apenas 1% abaixo do desempenho de 2008, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o que é considerado um bom resultado, tendo em vista a crise global enfrentada pela indústria no ano passado. Mas este número de produção, de acordo com a associação, deve crescer para 3,3 milhões em 2010, o que deve contribuir para elevar o uso da capacidade no setor de automóveis.

 

Para automotores, a capacidade instalada das montadoras é de quatro milhões de unidades ao ano no Brasil - mas investimentos da ordem de US$ 21 bilhões previstos para o período de 2008-2012 vão elevar a capacidade instalada destas empresas para cinco milhões de unidades ao ano, no período 2012-2013.

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