Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Indústria automotiva eliminou 900 vagas em outubro, diz Anfavea

Resultado de outubro foi o pior para mês em 10 anos; setor tem 45 mil funcionários com alguma restrição de atividade e já demitiu 11,8 mil neste ano

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2015 | 13h25

Atualizado às 21h44

SÃO PAULO - A produção de veículos registrou o pior desempenho para o mês de outubro em dez anos, com 205 mil unidades, 30% inferior ao de igual mês de 2014. No ano, o setor acumula redução de 21% no número de veículos que deixaram a linha de montagem, com 2,11 milhões de unidades, ou 566,2 mil a menos ante o período anterior.

Com esse fraco desempenho, as montadoras têm atualmente 45 mil funcionários com alguma restrição de atividade, o equivalente a 34% de sua mão de obra. Desse grupo, 2,8 mil estão em férias coletivas, 6,6 mil em lay-off (contratos suspensos) e 35,6 mil estão inscritos no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), com jornada e salários reduzidos. Além disso, o setor demitiu 11,8 mil funcionários neste ano, dos quais 900 no mês passado, e emprega 132,7 mil pessoas, o menor contingente desde julho de 2010.

Anúncios de corte de produção continuam ocorrendo. A Ford informou que vai suspender atividades na fábrica de carros de São Bernardo do Campo (SP) de segunda-feira até o dia 19. A unidade de caminhões ficará parada até o dia 27. Os 2,8 mil trabalhadores compensarão as folgas futuramente. Em Camaçari (BA), o trabalho será suspenso em todas as sextas-feiras deste mês. Na sequência, ainda haverá férias coletivas de final de ano.

A Volkswagen dará férias coletivas em São José dos Pinhais (PR) a partir de segunda-feira. Os 2 mil trabalhadores do turno da manhã ficarão 10 dias em casa e os 800 da tarde, 20 dias. A justificativa das empresas é adequar os estoques à demanda.

Neste ano, enquanto as vendas caíram 24,3% em comparação a 2014, para 2,146 milhões de unidades, os estoques aumentaram 26%. Fábricas e revendas têm 340,6 mil veículos parados nos pátios, o equivalente a 53 dias de vendas, igual ao registrado em setembro.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse que “o mercado automotivo reflete o estado de espírito da economia brasileira, bastante contaminado pela crise política”. Ele defende que os políticos “pensem mais no Brasil” e busquem uma solução rápida para o ajuste fiscal, “para pensarmos em como trabalhar para uma retomada da economia”.

A alta da produção verificada em outubro ante o mês anterior, de 17,4%, é resultado de mais dias de paralisação de produção em setembro, disse Moan. O único dado positivo do setor é o de exportações, com alta de 17% ante 2014, para 333 mil unidades. Em valores, há queda de 10,5% (US$ 8,8 bilhões).

Caminhões. O segmento de caminhões segue ainda mais afetado pela crise, com queda de 47% na produção do ano (66,1 mil unidades) e de 45% nas vendas (61,3 mil). “Continuamos passando por momento dramático, com falta de confiança dos investidores, juros altos e dificuldade de financiamento”, disse o vice-presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes.

Segundo ele, as alterações no Programa de Sustentação do Investimento (PSI) devem prejudicar ainda mais o setor e causar novas demissões. O limite para operações foi reduzido e o prazo para o fim dos pedidos de financiamento foi antecipado de novembro para outubro.

Tudo o que sabemos sobre:
economiaAnfaveaindústria automotiva

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.